Direita italiana fracassa na primeira proposta para nova presidente

A direita ficou àquem dos votos exigidos para eleger Elisabetta Alberti Casellati. Haverá agora nova votação.

O bloco da direita italiana fracassou esta sexta-feira ao propor como candidata presidencial a atual presidente do Senado, Elisabetta Alberti Casellati, ficando muito aquém dos votos exigidos no parlamento para eleger o próximo chefe de Estado.

Foi a primeira vez que um dos dois grandes blocos, neste caso o formado pelos partidos de Silvio Berlusconi e de extrema-direita de Matteo Salvini e Giorgia Meloni, escreveu oficialmente um nome nos boletins de voto para a eleição, que decorre na Câmara dos Deputados desde segunda-feira e prossegue sem resultado à vista, por não existir acordo entre esquerda e direita.

Casellati obteve 382 votos, muito abaixo do quórum necessário, que se situa em 505, a maioria absoluta do hemiciclo.

Seguiram-se-lhe o Presidente da República cessante, Sergio Mattarella (46), o procurador anti-máfia Nino Di Matteo (38), o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi (8), o seu "braço direito", Antonio Tajani (9), a atual ministra da Justiça, Marta Cartabia (7), o democrata-cristão Pierferdinando Casini (6) e o primeiro-ministro, Mario Draghi (3).

Às 17.00 horas locais (16.00 em Lisboa) decorre uma sexta votação, depois de ter sido decidido realizar duas por dia para acelerar o processo.

O parlamento italiano, reunido em sessão conjunta desde segunda-feira, com 1008 "grandes eleitores" - 629 deputados, 321 senadores e 58 delegados regionais - deve eleger o sucessor de Sergio Mattarella, cujo mandato termina a 03 de fevereiro, para os próximos sete anos.

Salvini tomou as rédeas da coligação de direita e, embora há alguns dias tenha proposto três nomes, logo rejeitados pela esquerda, hoje lançou o de Casellati, presidente do Senado desde 2018.

Contudo, a política conservadora, presente enquanto se lia o seu nome no escrutínio, não obteve o número de votos necessário, tendo conseguido até menos 60 que o número de assentos parlamentares que a sua própria coligação em teoria controla, que são 440, o que foi interpretado como um golpe, porque como o voto é secreto, houve grandes eleitores da direita que não obedeceram à disciplina de voto partidária.

Isso apesar de Berlusconi, hospitalizado em Milão (norte), ter intervindo para encorajar ao voto em Casellati.

Este foi o primeiro desafio da direita, que vinha apostando no voto em branco e, ultimamente, na abstenção, tal como o outro bloco, o da esquerda, que propõe uma reunião para pensar em figuras para a chefia do Estado nos próximos sete anos.

Em Itália, a eleição do Presidente da República tem de passar por uma aproximação entre a direita e a esquerda, porque nenhuma delas dispõe da maioria absoluta requerida para impor um candidato.

Desta vez, o Partido Democrata (PD), o Movimento 5 Estrelas (M5S), o Livres e Iguais e o Itália Viva, que juntos somam 462 votos, rejeitaram o nome de Casellati abstendo-se.

A eleição do novo Presidente encontra-se num impasse, em que a direita, liderada por Salvini, joga ao ataque para colocar alguém próximo, enquanto a esquerda continua na defensiva e sem apostar em ninguém em concreto.

O escrutínio também revelou que, dos 936 votantes presentes, 406 se abstiveram, seguindo a orientação da esquerda -- mais do que o número de votos obtido pela direita com a aposta em Casellati.

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