Diplomacia de Kiev lamenta diferenças entre NATO e UE sobre adesão

Chefe da diplomacia ucraniana lamenta que a NATO nada tenha feito para uma possível adesão da Ucrânia à Aliança Atlântica.

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, lamentou esta segunda-feira que a NATO nada tenha feito para a Ucrânia vir a aderir à Aliança Atlântica, ao contrário do que aconteceu com a União Europeia (UE).

Numa entrevista ao portal de notícias ucraniano LB.ua, Kuleba traçou um paralelismo entre a NATO e a UE para considerar que a Aliança Atlântica continua a ter a posição que tinha antes de a Rússia invadir a Ucrânia, em 24 de fevereiro.

"A NATO estava numa posição avançada em relação à UE, porque tinha pelo menos decidido que a Ucrânia se tornaria membro da Aliança e a UE nem sequer tinha uma perspetiva europeia para a Ucrânia", disse Kuleba, citado pela agência espanhola Europa Press.

Contudo, afirmou, "nos últimos quatro meses, a União Europeia avançou e já passou à segunda fase, enquanto a NATO se manteve no mesmo lugar".

"Atualmente, não vejo os pré-requisitos para que a Aliança mude a sua política relativamente à adesão da Ucrânia", acrescentou.

A UE atribuiu à Ucrânia o estatuto de país candidato à adesão em 23 de junho, na sequência de um pedido formalizado pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em 28 de fevereiro, quatro dias depois da invasão russa.

Pouco antes da invasão, Moscovo exigiu à NATO garantias de que não integraria mais países vizinhos da Rússia, incluindo a Ucrânia, e o regresso das forças aliadas a posições anteriores ao alargamento a membros da antiga União Soviética.

A NATO (sigla em inglês da Organização do Tratado do Atlântico Norte) recusou as exigências, mas os seus dirigentes têm afirmado que uma adesão da Ucrânia nunca esteve em causa.

No início da guerra, a NATO recusou pedidos ucranianos para que impusesse uma zona de exclusão aérea que impedisse os bombardeamentos russos, alegando que tal intervenção poderia desencadear uma guerra total entre o Ocidente e a Rússia.

Na cimeira de Madrid, na semana passada, a NATO aceitou os pedidos de candidatura da Suécia e da Finlândia, dois países com fronteiras terrestres e marítimas com a Rússia, formulados na sequência da invasão russa da Ucrânia.

Para Kuleba, a entrada dos dois países nórdicos apenas realçou a contradição no argumento da NATO sobre a sua relutância em permitir a adesão da Ucrânia por receio de perturbar Moscovo.

"Foi-nos dito: 'não podemos avançar para a fronteira, teremos uma fronteira comum com a Rússia'. (...) Eles têm agora 2.000 quilómetros de fronteira comum", disse.

"Toda a narrativa, tudo o que os parceiros individuais nos disseram sobre as razões pelas quais a Ucrânia não deveria aderir à NATO, foi anulada com a adesão da Suécia e da Finlândia", criticou.

Kuleba também disse hoje à agência noticiosa Ukrinform que a Comissão Europeia já pôs em marcha "certos mecanismos" para trabalhar com Kiev na incorporação da Ucrânia na UE.

"A nível da Comissão Europeia, já estamos a começar a refletir (...) sobre questões como o impacto que a adesão da Ucrânia terá nas políticas europeias", afirmou, citado pela agência espanhola EFE.

Segundo Kuleba, também estão em curso discussões sobre questões como o número de deputados necessários no Parlamento Europeu ou em que medida a agricultura ucraniana poderá influenciar a política agrícola da UE.

A invasão da Ucrânia foi criticada pela generalidade da comunidade internacional.

A UE e vários países ocidentais têm decretado sanções contra a Rússia e fornecido armas à Ucrânia.

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