Deputado do Partido Conservador britânico morre após ser esfaqueado

"Fomos e encontrámos um homem ferido. Ele foi assistido pelos serviços de emergência, mas, infelizmente, morreu no local", indicou a polícia. Primeiro-ministro Boris Johnson reagiu com "choque" e "tristeza"

O deputado conservador David Amess morreu esta sexta-feira na sequência de um ataque com uma faca em Leigh-on-Sea, confirmou a Polícia do condado de Essex, no sudeste de Inglaterra.

Num comunicado, a polícia de Essex disse ter sido chamada pouco depois das 12:05 de hoje. "Fomos e encontrámos um homem ferido. Ele foi assistido pelos serviços de emergência, mas, infelizmente, morreu no local", indicou.

Segundo a forca policial, "um homem de 25 anos foi rapidamente preso pouco depois de os policias terem chegado ao local sob suspeita de homicídio e uma faca foi recuperada".

O homem encontra-se detido, tendo a polícia acrescentado que não pensa existirem mais pessoas envolvidas no ataque.

O incidente aconteceu durante audiências com eleitores na Igreja Metodista de Belfairs, em Leigh-on-Sea.

Estas audiências são realizadas regularmente por todos deputados britânicos para conhecer problemas que os cidadãos queiram apresentar, sendo abertas a qualquer pessoa.

David Amess, de 69 anos, casado e pai de cinco filhos, representava a circunscrição de Southend West no condado de Essex.

Era deputado desde 1983, católico, opositor ao aborto e defensor dos direitos dos animais, tendo também feito campanha pelo 'Brexit'.

Em 2016, a deputada do Partido Trabalhista Jo Cox foi assassinada por um militante de extrema-direita uma semana antes do referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia.

Dois outros deputados, o Liberal Democrata Nigel Jones, em 2000, e o trabalhista Stephen Timms, em 2010, foram vítimas de ataques com facas, tendo ambos sobrevivido, embora um assessor de Jones tenha morrido ao tentar protegê-lo.

Boris Johnson "chocado"

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, reagiu com "choque" e "tristeza" ao homicídio do deputado conservador David Amess, tendo ordenado que as bandeiras em edifícios públicos sejam mantidas a meia haste.

"A razão pela qual as pessoas estão tão chocadas e tristes é, acima de tudo, porque ele era uma das pessoas mais bondosas, simpáticas e amáveis da política. Ele também tinha um excelente histórico de aprovação de leis para ajudar os mais vulneráveis", recordou.

O primeiro-ministro defendeu "deixar a polícia continuar com a sua investigação", acrescentando que é cedo para considerar medidas adicionais para melhorar a segurança dos deputados.

O presidente da Câmara dos Comuns, Lindsay Hoyle, prometeu uma discussão sobre se a segurança dos deputados precisa ser reforçada.

"Este é um incidente que desencadeou ondas de choque em toda a comunidade parlamentar e em todo o país. Nos próximos dias, precisaremos discutir e examinar a segurança dos deputados e quaisquer medidas a serem tomadas", declarou.

As manifestações de pesar são unânimes em todos os quadrantes políticos.

O líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, lamentou as "notícias horríveis e profundamente chocantes" e expressou solidariedade com a família de David Amess.

A antiga primeira-ministra Theresa May também apresentou as condolências, descrevendo o deputado como "um homem decente e deputado respeitado".

O viúvo de Jo Cox, a deputada assassinada por um militante de extrema-direita em 2016, Brendan Cox, descreveu o ataque como "o mais cobarde possível".

Cox disse que o incidente "traz tudo de volta" à memória, acrescentando: "A dor, a perda, mas também muito amor que a população nos deu após a perda de Jo. Espero que possamos fazer o mesmo pelo David agora."

atualizado às 19.20

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