Covid-19. Mundo vive (maior) incerteza com variante Ómicron

Reforço no controlo de fronteiras, na testagem, vacinação e a redução dos contactos sociais são "armas" para travar a nova variante que está a deixar o mundo em sobressalto.

Mais transmissível, a variante Ómicron do vírus responsável pela covid-19 está a espalhar-se rapidamente na Europa e no resto do mundo. Fez regressar as restrições, o teletrabalho, os eventos cancelados e os confinamentos.

Detetada na África do Sul, foi classificada como variante de "preocupação" pela Organização Mundial da Saúde e estima-se que em janeiro seja dominante na Europa. Os governos anunciam novas regras à medida que evolui a situação epidemiológica e a vida que estava a voltar a ser quase normal é de novo interrompida.

Europa

Reforço na testagem e vacinação, no controlo de fronteiras, teletrabalho, redução dos contactos sociais, inoculação de crianças e até a possibilidade de uma quarta dose da vacina. Estas são algumas armas para travar a propagação da Ómicron na Europa, onde as máscaras voltaram a ser obrigatórias e os certificados digitais exigidos em serviços e eventos.

O Reino Unido é dos países que regista maior impacto da disseminação da Ómicron, com sucessivos recordes de novas infeções. O número de casos duplica a cada dois a três dias e o nível de alerta passou para o segundo mais elevado. Além da obrigatoriedade do uso da máscara em espaços fechados, do regresso ao teletrabalho, foi aprovada a vacinação obrigatória dos profissionais de saúde. O país que registou a primeira morte de um doente infetado com a variante quer ter estes profissionais todos inoculados até abril de 2022. Devido ao aumento de infetados, Londres cancelou a celebração com 6500 pessoas em Trafalgar Square na noite de Ano Novo.

Mas se não forem implementadas mais medidas, alerta um grupo de cientistas que trabalha com o governo, o número diário de infeções no Reino Unido pode variar entre os 600 mil e os dois milhões no final do ano.

O País de Gales optou por mais restrições e encerrou os estabelecimentos de diversão noturna, desde 27 de dezembro, enquanto na Irlanda os bares e restaurantes têm de fechar às 20:00.

Já França decidiu fechar a porta aos turistas britânicos, estando apenas permitidas viagens essenciais, com apresentação de teste negativo. O país fechou discotecas nesta época festiva, numa altura em que os hospitais de várias regiões, incluindo Paris, ativaram os planos de contingência. Desde 15 de dezembro que o certificado de vacinação dos mais de 65 anos só é válido se incluir a terceira dose. Também Paris cancelou o fogo de artifício nos Campos Elísios.

Os Países Baixos foram mais longe com o regresso do confinamento total. Assim deverá permanecer até 14 de janeiro. Escolas, ginásios, restaurantes e bares estão encerrados, bem como outros negócios considerados não essenciais. A venda para fora continua possível e mantêm-se a funcionar supermercados, farmácias, bancos e bombas de combustível.

Noruega proibiu o álcool em restaurantes e bares, a Dinamarca anunciou o encerramento de cinemas, teatros, salas de espetáculos e decidiu antecipar para os maiores de 40 anos a dose de reforço. O alargamento a esta faixa etária para a terceira dose também foi anunciado em Espanha, que voltou ao uso obrigatório da máscara na rua, tal como na Grécia. Já a região autónoma da Catalunha avançou para o recolher obrigatório, das 01:00 às 06:00, nas cidades com maior incidência e fechou discotecas.
Na Áustria, optou-se pelo confinamento, primeiro geral e depois aos não vacinados, com exceções. A partir de fevereiro, o governo de Viena quer mesmo multar todos os cidadãos, acima dos 14 anos, que recusem ser vacinados. Reforçou o controlo de fronteiras e já recomendou a dose de reforço a maiores de 12 anos.

Em luta contra os grupos antivacinas, a Alemanha aposta na vacinação obrigatória, para já dos profissionais de saúde e funcionários de lares. Atualmente estão proibidas reuniões com mais de 10 pessoas e os estabelecimentos de diversão noturna estão fechados. Não há público em jogos de futebol ou em eventos culturais. As autoridades sanitárias decidiram adicionar Portugal na lista de países de risco, reforçando as regras para entrar no país.

Em Itália, andar de transportes públicos só é possível com a apresentação do certificado. E, tal como a Alemanha, a República Checa, o Reino Unido, a Grécia e a França, a vacinação é obrigatória para os profissionais de saúde. O país passou a exigir teste negativo a todos os viajantes da UE e está até 31 de março de 2022 em estado de emergência. Um nível de exceção que a Hungria prolongou até junho.

Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária notificou os postos de fronteira, nomeadamente aeroportos, para o cumprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal na qual é determinada a obrigatoriedade de certificado de vacinação aos viajantes que cheguem ao país. Já para a festa de fim de ano no Rio de Janeiro tinha sido anunciado que não iria existir fogo de artifício na praia de Copacabana, mas a autarquia recuou, optando por retirar os palcos do areal.

EUA

O presidente dos EUA, Joe Biden, estimou um "inverno de doenças graves e mortais" para os não vacinados e pretende a vacinação obrigatória nas empresas com mais de 100 trabalhadores. No país mais afetado pela pandemia, já foi aprovada a dose de reforço para os jovens de 16 e 17 anos. A festa de fim de ano em Times Square, Nova Iorque, mantém-se, mas com 15 mil pessoas em vez das quase 60 mil. Uso de máscara e comprovativo de vacinação vai ser obrigatório.

China

A China mantém a política de "tolerância zero", com testagem e confinamentos em larga escala. É disso exemplo o confinamento de 13 milhões de habitantes da cidade Xian, a pouco mais de um mês dos Jogos Olímpicos de Inverno. Controlo de fronteiras e contenção rápida de surtos fazem parte da estratégia do país onde foram detetados, no final de 2019, os primeiros casos da doença.

Resto do mundo

No Peru, país com a maior taxa de mortalidade em relação ao número de habitantes, está proibida a venda e consumo de álcool em praias e piscinas públicas. Israel anunciou a quarta dose da vacina para maiores de 60 anos e profissionais de saúde, Equador aplica a vacinação obrigatória e em Marrocos, que optou pelo encerramento de fronteiras, a Royal Air Maroc cancelou os voos até ao final do ano. Foi, aliás, no continente que só recentemente ultrapassou os 10% da sua população totalmente vacinada que as autoridades deram o alerta para a nova variante. A primeira notificação da Ómicron veio da África do Sul, que registou um aumento exponencial de casos. Já foi aprovada a dose de reforço aos maiores de 18 anos no país que tem cerca de um terço da sua população vacinada.

susete.henriques@dn.pt

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