Conselho de Segurança da ONU discute Zaporíjia

Reunião de emergência foi pedida pela Rússia, com Kiev e Moscovo a trocar acusações sobre autoria dos ataques à central.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir esta quinta-feira de emergência para discutir a crise na central nuclear de Zaporíjia, na Ucrânia. O G7 acusou esta quarta-feira Moscovo de "pôr em perigo" a região ucraniana em redor da maior central da Europa, exigindo a saída das forças russas que a ocupam. Pelo menos 14 civis morreram em ataques noturnos na área, incluindo 12 na localidade de Marganets, logo do outro lado do rio Dnieper.

A reunião de emergência foi pedida pela Rússia, que quer discutir as "provocações ucranianas". Moscovo alega que as forças de Kiev são responsáveis por uma série de ataques nos últimos dias, incluindo alguns que danificaram a própria central e obrigaram a parar um dos reatores, enquanto os ucranianos apontam o dedo aos próprios russos. A Agência Internacional de Energia Atómica tem-se mostrado "alarmada" com a situação.

"É o controlo da Rússia sobre a central que coloca a região em risco", acusou esta quarta-feirao G7, sublinhando que "o pessoal ucraniano que opera a central deve poder desempenhar as suas funções sem ser ameaçado ou pressionado". A operadora ucraniana Energoatom alega que os russos querem ligar a central à rede da Crimeia - anexada pela Rússia em 2014.

Rescaldo da explosão

Na sua mensagem diária na terça-feira à noite, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, deixou claro que a Crimeia será recuperada. "Esta guerra russa contra a Ucrânia e contra toda a Europa livre começou com a Crimeia e tem que acabar com a Crimeia - a sua libertação", afirmou.

Horas antes, uma explosão tinha abalado a base aérea de Saki, nesta província. Moscovo alega que houve uma detonação de munições e não um ataque, sendo que, oficialmente, Kiev não reivindicou a responsabilidade (mas também não negou) - há quem alegue que foi uma ação de uma unidade de elite da Ucrânia, enquanto outros falam em apoiantes ucranianos (que no passado já realizaram um ataque menor, com um drone, na zona).

Contudo, enquanto os russos disseram que não houve danos nos aviões - porque a explosão ocorreu numa zona de armazéns -, os ucranianos indicaram esta quarta-feira ter destruído nas últimas 24 horas nove aviões russos, sem especificar onde. A explosão terá causado um morto e 13 feridos, sendo que as autoridades locais revelaram ainda que cerca de 250 pessoas tiveram que ser realojadas depois de dezenas de apartamentos terem ficado danificados - apesar de os russos tentarem retirar importância à explosão.

Kherson livre até fim do ano

O major-general Dmytro Marchenko disse que as forças ucranianas planeiam libertar a região de Kherson, onde têm montada uma contraofensiva contra os russos, até ao final do ano. Segundo este responsável, o facto de as armas ocidentais estarem a chegar a conta-gotas torna a contraofensiva difícil neste momento. "Não quero fazer previsões, mas se tivermos a quantidade de armas que foi prometida, que precisamos, penso que na próxima primavera vamos celebrar a vitória", acrescentou.

Entretanto, os cereais ucranianos continuam a deixar os portos do país após o acordo com a Rússia. Mas o primeiro navio, que tinha 26 mil toneladas de milho, está à procura de comprador para a carga, depois de o original a ter recusado devido ao atraso na entrega. O navio está na Turquia à espera de solução.

susana.f.salvador@dn.pt

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