Blinken reúne com Wang e apela à "paz" em Taiwan

Chefes da diplomacia norte-americana e chinesa estiveram reunidos durante 90 minutos à margem da Assembleia Geral da ONU.

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, reiterou esta sexta-feira que "preservar a paz e a estabilidade" em Taiwan é "crítico para a segurança e a prosperidade regional e global" num encontro com o seu homólogo chinês, Wang Yi, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas. A reunião, que durou 90 minutos, surge numa altura de tensão depois da visita da líder da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, à ilha que Pequim considera uma província rebelde.

"Os EUA estão comprometidos com a manutenção da paz e estabilidade em todo o Estreito de Taiwan, consistente com a nossa política de longa data de "uma só China"", disse, num comunicado, o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price. "O secretário reiterou que preservar a paz e a estabilidade em todo o estreito é crítico para a segurança e a prosperidade regional e global", acrescentou.

Num encontro descrito como "direto e honesto", Blinken (que não cancelou apesar da morte, na véspera à noite, do pai) lembrou ainda a importância de manter "linhas abertas de comunicação" e "gerir responsavelmente a relação entre os EUA e a China, especialmente em momentos de tensão".

Este foi o primeiro encontro entre os dois chefes da diplomacia desde a reunião em julho, em Bali, onde ambos surgiram otimistas em relação à estabilidade na região. Contudo, isso viria a mudar com a visita de Pelosi, em agosto, que irritou Pequim - a Câmara dos Deputados atua de forma independente da Casa Branca, que não tem o poder para impedir essa viagem.

Em resposta, a China organizou os maiores exercícios militares com fogo real em redor de Taiwan - ilha cuja soberania reclama, não afastando a hipótese de usar a força para alcançar os seus objetivos. Numa entrevista divulgada no domingo, o presidente norte-americano, Joe Biden, voltou a repetir que os EUA estão preparados para intervir militarmente se a China usar a força em Taiwan, fugindo mais uma vez à posição de ambiguidade de Washington em relação a este tema.

Os responsáveis do Departamento de Estado clarificaram contudo que a posição dos EUA em relação à política de "uma só China" não mudou, reiterando a sua oposição a uma "mudança unilateral do status quo" por qualquer uma das partes. Pequim alega que as declarações de Biden enviam o sinal errado para aqueles que procuram a independência de Taiwan.

Antes do encontro com Blinken, o chefe da diplomacia chinesa disse que o tema de Taiwan é "o maior risco para as relações entre China e EUA", comparando-o a "um grande rinoceronte altamente disruptivo em carga contra nós". Num evento no think tank Asia Society, Wang explicou que esse "rinoceronte" tem que ser "resolutamente parado". E rematou: "Tal como os EUA não vão permitir que lhes tirem o Havai, a China tem o direito de defender a unificação do país."

Taiwan acolheu, após a Revolução Chinesa de 1949, os líderes da antiga República da China e cerca de um milhão e meio de refugiados. A partir dos anos 1990 fez a transição para uma democracia multipartidária, sendo a sua independência reconhecida apenas por 14 países.

Com AFP

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