Blinken e Kuleba debatem solução para o bloqueio às exportações de cereais

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano saudou este domingo também o "precedente" criado pela decisão da Alemanha de fornecer o primeiro armamento pesado a Kiev.

Os Estados Unidos e a Ucrânia abordaram este domingo, em Berlim, como encontrar uma solução para o bloqueio às exportações de cereais do país invadido pela Rússia, através dos respetivos responsáveis pela diplomacia.

A conversa entre o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, e o ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba, ocorreu à margem da reunião da NATO, na capital alemã.

Blinken e Kuleba discutiram "o impacto da guerra brutal da Rússia, incluindo a segurança alimentar global, e comprometeram-se a encontrar uma solução para a exportação de cereais ucranianos para os mercados internacionais", de acordo com um comunicado do porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Ned Price.

Além disso, os dois representantes discutiram o último pacote de assistência dos EUA para garantir a defesa da Ucrânia, embora o porta-voz de Blinken não tenha dado detalhes sobre esse tema.

Ned Price acrescentou que Blinken garantiu a Kuleba o compromisso de Washington com a soberania da Ucrânia e a integridade territorial do país.

Conforme revelado esta semana pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a guerra entre a Ucrânia e a Rússia está a afetar o resto do mundo também a nível das matérias-primas, uma vez que, em 2021, ambos os países forneceram 30% do trigo e 63% do milho a nível mundial.

Na passada quarta-feira, a comissária europeia para os Serviços Financeiros, a irlandesa Mairead McGuinness, exortou os restantes parceiros internacionais a "libertar" os grãos de trigo que estão atualmente armazenados na Ucrânia, de modo a garantir o escoamento mundial de cereais e evitar eventuais fomes.

Um agradecimento à Alemanha

Dmytro Kouleba saudou este domingo também o "precedente" criado pela decisão da Alemanha de fornecer o primeiro armamento pesado a Kiev, numa mensagem publicada na sua conta oficial de Facebook.

"No dia em que cheguei a Berlim estavam a treinar soldados ucranianos para o uso de artilharia autopropulsada alemã de calibre 155 milímetros", disse Kouleba, após uma visita de quatro dias à capital alemã.

"Em breve, essa artilharia autopropulsada atingirá o inimigo. Foi criado um precedente, a barreira psicológica [para fornecer armas pesadas à Ucrânia] foi ultrapassada", estimou.

O ministro ucraniano saudou ainda a evolução da posição de Berlim em relação à sua dependência dos hidrocarbonetos russos.

"Falamos muito sobre um embargo ao gás russo", destacou Kouleba, acrescentando ter ficado com a impressão de que a decisão política é de que a dependência alemã é um grande problema e deve terminar.

Já sobre a obtenção do estatuto de candidato à entrada na União Europeia pela Ucrânia - sobre o qual os 27 Estados-membros devem decidir em junho - o governante exortou Berlim a desempenhar um papel de liderança nesse sentido.

"A escolha das elites alemãs é muito simples: ou assumem a liderança neste processo e os seus nomes ficarão na história europeia, ou acontecerá de qualquer maneira, mas sem a sua liderança", sublinhou.

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