Ayuso é a favorita frente ao ex-frade e à anestesiologista

Perfis do candidatos à presidência da Comunidade de Madrid. Eleições são esta terça-feira.

Madrid vai a votos esta terça-feira e tudo aponta para uma vitória folgada do Partido Popular e da atual presidente da Comunidade, Isabel Díaz Ayuso, que deverá necessitar do Vox para ter a maioria suficiente para formar governo. Sondagens indicam que o Ciudadanos pode nem conseguir eleger representantes. À esquerda, a luta é entre socialistas, Más Madrid e Unidas Podemos.

Eis os candidatos.

Isabel Díaz Ayuso

De quase desconhecida em 2019 a grande favorita em 2021, com uma pandemia pelo meio. A presidente da Comunidade de Madrid e candidata do PP nasceu na capital há 42 anos, estudou jornalismo na Complutense e tem um mestrado em Comunicação Política. Milita no PP desde 2005, quando Pablo Casado era o líder da juventude. Foi ele que apostou nela em 2019 - Ayuso foi segunda nas eleições, mas a aliança com o Ciudadanos (e o apoio do Vox) puseram-na no cargo, de onde se tornou numa das vozes mais ativas contra o primeiro-ministro, Pedro Sánchez. Antes, foi responsável pelo Twitter de Pecas, o cão da ex-líder da Comunidade de Madrid, Esperanza Aguirre, e esteve por detrás da campanha digital da sua sucessora, Cristina Cifuentes. Deputada na Assembleia de Madrid desde 2011, foi vice-conselheira da Presidência e da Justiça. É divorciada, tendo terminado em novembro a relação que tinha há quatro anos com o cabeleireiro Jairo Alonso.

Ángel Gabilondo

O candidato do PSOE (mas não militante) nasceu em San Sabastián, no País Basco, há 72 anos e foi frade antes de optar pela carreira académica. Estudou Filosofia e Letras na Universidade de Madrid, foi depois professor e seria reitor entre 2002 e 2009. Nesse ano lançou-se na carreira política, sendo nomeado ministro da Educação por José Luis Zapatero. É a terceira vez que se apresenta como candidato a presidente da Comunidade de Madrid, sendo desde 2015 deputado e porta-voz do grupo socialista na Assembleia de Madrid. Nas eleições de 2019 foi o mais votado, mas seria a direita a chegar a acordo de governo. Alegadamente o seu nome estava a ser estudado para ser o próximo "provedor do povo", uma espécie de provedor de justiça, mas a antecipação das eleições regionais lançou-o de novo na corrida eleitoral. Casado em segundas núpcias há 25 anos, tem dois filhos do primeiro casamento.

Mónica García

É a coordenadora-geral e candidata do Más Madrid, a plataforma de esquerda criada em 2019 pela ex-presidente da câmara Manuela Carmena e pelo ex-dirigente do Podemos Iñigo Errejón. Madrilena de 47 anos, Mónica García deixou também o partido de Pablo Iglesias, pelo qual tinha sido eleita deputada na Assembleia em 2016. Quando Iglesias sugeriu uma candidatura conjunta nestas eleições, rejeitou: "Madrid não é uma série da Netflix. Estou há muito tempo a trabalhar para Madrid nos momentos mais complicados. Nós mulheres estamos cansadas de fazer o trabalho sujo para que, nos momentos históricos, peçam que nos afastemos." Anestesiologista do Hospital 12 de Outubro, esteve na linha da frente na luta contra a pandemia no último ano. O seu envolvimento com temas políticos remonta a 2012, quando participou nos protestos contra os cortes no setor da Saúde em Espanha. É casada e tem três filhos.

Rocío Monasterio

A candidata do Vox nasceu em Madrid há 47 anos, sendo filha de pai cubano (cuja família foi expropriada após a revolução de 1959) e mãe espanhola. Arquiteta, é militante do Vox desde 2014 (quando o partido de extrema-direita ainda estava longe dos números que tem hoje), foi eleita líder do partido em Madrid em 2016 e entrou para a assembleia regional em 2019. As polémicas têm marcado o seu percurso, desde o facto de ter assinado projetos de arquitetura quando ainda não tinha acabado o curso na Universidade Politécnica de Madrid a ter atacado menores migrantes não acompanhados já na campanha e ser contra os "movimentos feministas radicais". Em 2019, resistiu a apoiar Díaz Ayuso, mas agora poderá ser chave para esta continuar a ser presidente da comunidade. É casada com Iván Espinosa de los Monteros, que é o porta-voz do partido de Santiago Abascal no Congresso dos Deputados, e tem quatro filhos.

Pablo Iglesias

O líder do Podemos deixou uma das vice-presidências do governo espanhol para ser candidato em Madrid, na esperança de conseguir que o partido não ficasse aquém dos 5% de votos que precisa para estar na assembleia regional. Pablo Iglesias nasceu em Madrid no mesmo dia que Isabel Díaz Ayuso: 17 de outubro de 1978. Estudou Direito e depois Ciência Política na Universidade Complutense, onde viria também a doutorar-se. Era professor universitário e apresentava um programa de televisão de debate político quando, em 2014, no rescaldo do movimento dos indignados, fundou o Podemos. Um ano depois, elegeu 42 deputados, ajudando a acabar com o bipartidarismo em Espanha. Acabaria por unir-se em 2016 à Esquerda Unida, lançando a aliança Unidas Podemos, que em 2019 formou o primeiro governo de coligação com o socialista Pedro Sánchez. Tem três filhos com a atual companheira, a ministra da Igualdade, Irene Montero.

Edmundo Bal

O Ciudadanos foi terceiro nas eleições de Madrid em 2019 e coligou-se ao PP para governar, mas o partido liderado por Inés Arrimadas está em crise e arrisca não chegar aos 5% necessários para estar na assembleia regional. Edmundo Bal, porta-voz adjunto do Ciudadanos no Congresso, nasceu há 53 anos em Huelva e estudou Direito na Universidade Complutense. Antigo advogado do Estado, esteve em vários processos mediáticos nos últimos anos - incluindo contra Cristiano Ronaldo ou Mourinho por fuga aos impostos. Entrou para a política nas eleições gerais de 2019 e apesar de não ter sido eleito deputado, a renúncia do então líder do Ciudadanos, Albert Rivera, após o mau resultado, abriu-lhe a porta do Congresso. A decisão de Díaz Ayuso de romper o acordo de coligação em Madrid e o mal-estar com o então vice-presidente, Ignacio Aguado, levou o Ciudadanos a escolher Bel. É casado e tem dois filhos.

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