AstraZeneca atrasa entrega de metade das vacinas na UE

Farmacêutica anglo-sueca vai testar um dos dois lotes de vacina antes de o entregar

A farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca vai atrasar a entrega de metade das vacinas contra a covid-19 programadas para esta semana na União Europeia (UE), anunciou esta sexta-feira um porta-voz do grupo.

"Comunicámos à Comissão Europeia [CE] e aos Estados-membros na semana passada que um dos dois lotes [de vacina] para entrega nesta semana precisa ainda de ser testado e que será entregue em breve", disse o porta-voz citado pela agência francesa France-Presse.

A vacina da AstraZeneca tem estado no centro de uma polémica, depois de ter sido conhecido um parecer da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), que concluiu existir uma "possível relação" entre a administração do fármaco e a formação de "casos muito raros" de coágulos sanguíneos, mas que insistiu nos benefícios do fármaco.

"A AstraZeneca continua no bom caminho para cumprir os seus planos de entrega para o segundo trimestre", disse o porta-voz num comunicado enviado por e-mail à AFP.

Na declaração, o porta-voz da farmacêutica anglo-sueca acrescenta que as entregas semanais implicam, "geralmente, pequenas oscilações", dependendo de "uma série de fatores operacionais", como a "distribuição ou uma boa definição nos testes de segurança e de qualidade".

Segundo o Financial Times, que cita documentos oficiais, o grupo farmacêutico tem agora previsto entregar 1,3 milhões de doses aos 27 Estados membros da UE, mais Islândia e Noruega, contra 2,6 milhões que estavam planeados para esta semana, "um decréscimo distribuído de forma justa de acordo com os países".

Os atrasos na entrega têm sido um problema recorrente, bem como criado atritos entre a UE e a empresa farmacêutica e o Reino Unido.

Também esta sexta-feira, a EMA anunciou que vai examinar uma possível ligação entre a vacina anti-covid da Johnson & Johnson e casos de coágulos sanguíneos, e expandir a investigação à AstraZeneca, já implicada para os mesmos sintomas.

Quarta-feira, a EMA já reconhecera que os coágulos sanguíneos deveriam ser listados como um efeito colateral "muito raro, mas grave" da vacina AstraZeneca, principalmente em indivíduos jovens.

A desconfiança em relação à vacina AstraZeneca tem levado muitos países a estabelecer limites de idade para o seu uso, ou mesmo a suspendê-lo.

Por exemplo, está reservada para maiores de 30 anos no Reino Unido, onde tem sido amplamente administrada, para maiores de 65 na Suécia e maiores de 60 em Portugal, Alemanha, Países Baixos e Filipinas.

A Alemanha está já a considerar comprar a polémica vacina russa, Sputnik V, caso o regulador europeu aprove a sua administração.

Ainda esta sexta-feira, antes do anúncio da EMA, as autoridades de saúde francesas indicaram que as 533 000 pessoas com menos de 55 anos já vacinadas com uma primeira dose de AstraZeneca receberiam uma vacina diferente para a segunda dose.

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