A Turquia não vai dizer "sim" à adesão da Suécia e da Finlândia à NATO, garante Erdogan

Erdogan confirmou a oposição da Turquia à adesão da Finlândia e da Suécia à NATO, acusando-os de não tomar uma posição clara contra o terrorismo

DN/Lusa
O presidente turco Recep Tayyip Erdogan© Kenzo TRIBOUILLARD / AFP

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, confirmou, esta segunda-feira, a oposição do país à adesão da Finlândia e da Suécia à NATO, acusando-os de não tomar uma posição clara contra o terrorismo.

"Não diremos 'sim' àqueles (países) que aplicam sanções à Turquia para se juntarem à organização de segurança NATO", disse Erdogan, citado pela AFP.

Para o presidente turco, "a Suécia é um centro de incubação de organizações terroristas. Acolhe terroristas. No seu parlamento, há deputados que defendem os terroristas".

"Estes dois países não têm uma posição clara contra as organizações terroristas. Inclusive quando dizem que são contra elas, não entregam os terroristas que deveriam entregar. Não podem enganar-nos duas vezes", disse Erdogan, numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo argelino, Abdelmajid Tebboune, em Ancara.

"Na segunda-feira, virão à Turquia -- mas virão convencer-nos, para que mudemos de ideias? Lamento, mas não nos enganarão duas vezes. Para isso, não vale a pena virem", rematou o presidente turco, referindo-se à visita agendada de uma delegação sueca ao país.

A Turquia criticou a Suécia e a Finlândia por não aprovarem os seus pedidos de extradição de pessoas que acusa de pertenceram a "organizações terroristas", indicou a agência noticiosa estatal Anadolu.

Na sexta-feira, Ancara ameaçou bloquear o processo de alargamento da NATO aos dois países escandinavos, que requer a unanimidade dos membros da Aliança.

A Anadolu, ao citar fontes do Ministério da Justiça turco, referiu que nos últimos cinco anos nenhum dos 33 pedidos de extradição enviados por Ancara recebeu resposta positiva por parte de Estocolmo ou de Helsínquia.

Segundo a agência estatal, os pedidos de extradição relacionam-se com pessoas procuradas por Ancara e acusadas de serem membros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), ou do movimento de Fethullah Gülen.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan, antigo aliado do predicador residente nos Estados Unidos Gülen, acusa-o de ter fomentado a tentativa de golpe de Estado de julho de 2016 e considera-o um "chefe terrorista".

Erdogan manifestou na sexta-feira a sua hostilidade à adesão à NATO dos dois países escandinavos, acusando-os de "servirem de refúgio aos terroristas do PKK", os rebeldes curdos da Turquia.

A Turquia acusa a Suécia e a Finlândia -- e em particular Estocolmo -- de grande indulgência face ao PKK, apesar de estar este incluído na lista da UE de "organizações terroristas".

No domingo, o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Çavusoglu, manifestou um tom conciliador face à Finlândia, mas acusou a Suécia de manter atitudes "provocadoras" durante as discussões em Berlim sobre a adesão dos dois países à Aliança atlântica.

Após a decisão da Finlândia no domingo, a Suécia oficializou hoje a sua candidatura, enquanto a NATO tenta acalmar esta recente hostilidade manifestada pela Turquia.

A unanimidade e a ratificação parlamentar pelos 30 Estados-membros são necessárias para permitir a adesão de novos países.

O ministro da Defesa sueco, Peter Hultqvist, anunciou hoje que será enviada à Turquia uma delegação diplomática sueca "para ver como pode ser resolvida a questão".

No domingo, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, manifestou "confiança" face à possibilidade de os países membros da Aliança alcançarem um compromisso com a Turquia, que na sua perspetiva não tem a intenção de bloquear a adesão da Finlândia e Suécia.