Nove presidentes de ex-países comunistas da Europa exigem retirada russa da Ucrânia

A Eslováquia, Estónia, Letónia, Lituânia, Macedónia do Norte, Montenegro, Polónia, República Checa e Roménia apoiam a Ucrânia e garantem que nunca reconhecerão as tentativas da Rússia em anexar terrritório.

DN/Lusa
© EPA/OLEG PETRASYUK

Os presidentes de nove antigos países comunistas europeus que integram a NATO afirmaram este domingo que nunca reconhecerão a anexação pela Rússia de quatro regiões ucranianas e reafirmaram a sua total solidariedade com a Ucrânia.

"Reiteramos o nosso apoio à soberania e integridade territorial da Ucrânia e não reconhecemos e nunca reconheceremos as tentativas da Rússia de anexar território ucraniano", disseram numa declaração conjunta.

O texto é assinado pelos presidentes da Eslováquia (Zuzana Caputová), Estónia (Alar Karis), Letónia (Egils Levits), Lituânia (Gitanas Nauseda), Macedónia do Norte (Stevo Pendarovski), Montenegro (Milo Ðukanovic), Polónia (Andrzej Duda), República Checa (Milos Zeman) e Roménia (Klaus Iohannis).

Dos nove países, apenas a Macedónia do Norte e o Montenegro ainda não são membros da União Europeia (UE).

A declaração carece das assinaturas dos líderes de quatro outros países ex-comunistas que são membros da NATO e da UE: Eslovénia, Croácia, Hungria e Bulgária.

O Presidente russo, Vladimir Putin, formalizou na sexta-feira a anexação de quatro regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk (no Donbass, leste), Kherson e Zaporijia (sul), sob controlo parcial das forças russas.

A medida, rejeitada pelas autoridades ucranianas e pela comunidade internacional, ocorreu no oitavo mês da guerra na Ucrânia, que a Rússia iniciou com a invasão do país vizinho, em 24 de fevereiro.

"Apoiamos a Ucrânia na sua defesa contra a invasão russa, exigimos que a Rússia se retire imediatamente de todos os territórios ocupados, e encorajamos todos os aliados a aumentar substancialmente a sua assistência militar à Ucrânia", disseram os nove presidentes na declaração.

Os chefes de Estado em causa visitaram Kiev durante a guerra e disseram na declaração que "testemunharam com os seus próprios olhos os efeitos da agressão russa".

"Não podemos ficar calados perante a flagrante violação do direito internacional pela Federação Russa", disseram, ao justificarem a declaração conjunta.

Os nove presidentes defenderam também que "todos aqueles que cometem crimes de agressão devem ser responsabilizados e levados à justiça".

Manifestaram ainda o seu apoio à decisão da cimeira da NATO de Bucareste, em 2008, "relativa à futura adesão da Ucrânia".

No dia em que a Rússia declarou a anexação, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, assinou o pedido formal de adesão da Ucrânia à NATO, apelando para um procedimento de urgência.

A possibilidade da entrada da Ucrânia na Aliança Atlântica foi uma das justificações dadas por Putin para ordenar a invasão, depois de os aliados terem recusado dar garantias por escrito de que isso nunca aconteceria.

A anexação das quatro regiões ucranianas, que correspondem a cerca de 15 por cento do território terrestre da Ucrânia, ocorreu após a realização de referendos não reconhecidos pela comunidade internacional, entre 23 e 27 de setembro.

A Rússia já tinha anexado a península ucraniana da Crimeia em 2014, após um processo idêntico.

Papa suplica a Putin pelo fim da "espiral de violência" e critica anexações

O papa Francisco suplicou neste domingo ao presidente russo, Vladimir Putin, que acabe com a "espiral de violência" na Ucrânia, ao mesmo tempo que criticou as anexações de territórios por considerá-las "contrárias ao direito internacional".

Na bênção do Angelus, na Praça de São Pedro, o pontífice dirigiu-se ao presidente da Federação da Rússia para suplicar o fim, também por amor a seu povo, da "espiral de violência e de morte".