Mobilizado para a guerra? "Vou resolver isto a outro nível", diz filho do porta-voz do Kremlin

Putin anunciou a mobilização militar para a guerra na Ucrânia, mas o filho do porta-voz do Kremlin recusou apresentar-se para ir combater. Foi alvo de uma partida por opositores do regime russo, que se fizeram passar por oficiais de recrutamento. O pai, Dmitry Peskov, já reagiu.

DN
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov© EPA/MAXIM SHIPENKOV

Fazendo-se passar por oficiais de recrutamento, opositores de Vladimir Putin ligaram ao filho do porta-voz do Kremlin a convocá-lo para a mobilização militar para a guerra na Ucrânia, anunciada na quarta-feira pelo presidente russo. Do outro lado, Nikolai fez saber que Dmitry Peskov é o seu pai e não se mostrou interessado em ir combater.

"Obviamente, que não vou estar lá amanhã às 10:00", respondeu, segundo o Ukrainska Pravda, desconhecendo que era alvo de uma partida.

"Se sabe que sou o Sr. Peskov, devia perceber o quão errado é para mim estar lá. Eu vou resolver isto a outro nível. Preciso de compreender no geral o que está a acontecer e quais os meus direitos", explicou na conversa telefónica, segundo o site independente russo The Insider.

Afirmou, no entanto, que está disposto a combater pela Rússia, mas acabou por não dar o seu consentimento para se alistar como voluntário. "Não tenho problemas em defender a minha pátria, mas preciso de entender a conveniência de estar lá, estou a falar de certas nuances políticas", justificou.

"Estou pronto para ir, mas não a seu pedido. Se Vladimir Vladimirovich [Putin] me disser para ir, eu irei", acrescentou Nikolai, que disse, porém, que não preenchia os critérios para esta mobilização.

Foi Dmitry Nizovtsev quem ligou ao filho do porta-voz do Kremlin, fazendo-se passar por um oficial de recrutamento. A conversa foi gravada para o programa "Popular Politics", criado por apoiantes do opositor russo Alexei Navalny, e pode ser ouvida no YouTube.

Na quarta-feira, recorde-se, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou a mobilização militar parcial no país, tendo o ministro da Defesa detalhado que serão 300 mil reservistas a combater na Ucrânia.

Dmitry Peskov, o porta-voz da presidência russa, já comentou este caso envolvendo o filho, afirmando que as declarações de Nikolai Peskov foram tiradas do contexto, garantindo a jornalistas que "o texto completo (da conversa) não foi publicado".