"E bem fundo". Zemmour responde a mulher com o dedo do meio

Uma visita interrompida, sem qualquer encontro ou comício, e que termina com um dedo do meio. O pré-candidato da extrema-direita à presidência francesa Éric Zemmour teve uma passagem atribulada por Marselha.

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© Nicolas TUCAT / AFP

Uma troca de gestos com uma transeunte foi a cereja no topo do bolo no final de uma visita conturbada de Éric Zemmour a Marselha. Ao sair de um restaurante depois do almoço, uma mulher que passou junto ao automóvel onde seguia o polemista de extrema-direita fez-lhe o gesto obsceno. O escritor respondeu com o mesmo gesto e com a frase "E bem fundo", sob o olhar divertido da sua assessora Sarah Knafo, segundo o fotógrafo da AFP que testemunhou a cena.

Um "gesto instintivo" que Éric Zemmour "assume", embora a sua comitiva não tenha querido responder à questão de saber se o gesto era presidencial. "Certamente que isso torna alguém real", responderam.

A ponta final da pré-campanha não correu de feição ao ex-jornalista. Na sexta-feira, saiu do comboio em Aix-en-Provence, onde foi esperado por manifestantes. Durante a tarde, passeou durante menos de 15 minutos no bairro de Panier, sob palavras de ordem dos manifestantes: "Zemmour, desaparece, Marselha é antirracista."

Protestos nas ruas de Marselha contra Zemmour.© Christophe SIMON / AFP

A sua agenda no sábado acabou cancelada. Depois de ter aparecido em segundo lugar nas sondagens, à frente da candidata assumida da extrema-direita Marine Le Pen, as preferências por Zemmour estão estagnadas ou a recuar consoante as sondagens.

Quando em 2018, um jovem fez o mesmo gesto de Zemmour junto do presidente Emmanuel Macron, o então comentador na RTL considerou-a "uma guilhotina simbólica". Macron "foi humilhado (...) e por isso a França foi humilhada", explicou.

A receção que os marselheses fizeram a Zemmour acontece dois dias depois de dez autarcas (Rennes, Montpellier, Reims, Saint-Étienne, Toulouse, Nantes, Arras, Nancy, Périgueux e da comunidade urbana de Reims) terem assinado um texto no Le Monde a apelar para um "sobressalto popular" contra Zemmour. "É altura de acordarmos coletivamente para que a campanha eleitoral não seja tingida pelas mentiras e pela hipocrisia", declaram, lembrando que o modelo do polemista é o de 1984 de George Orwell, o de "controlar o passado para controlar os espíritos".

Zemmour deverá anunciar a candidatura às presidenciais nos próximos dias.