Bielorrússia diz que Polónia será o primeiro alvo caso seja atacada

Depois de reivindicar o controlo da região de Lugansk, a Rússia centra as atenções em Donetsk, com bombardeamentos intensos que visam tomar todo o Donbass, no leste da Ucrânia.

DN
© EPA/SERGEY KOZLOV
PR moçambicano conversa com Zelensky e apela ao diálogo Ucrânia-Rússia

O Presidente moçambicano defendeu hoje o diálogo entre Ucrânia e Rússia para acabar com a guerra, durante um telefonema com o homólogo Volodymyr Zelensky, anunciou o gabinete presidencial em Maputo.

Filipe Nyusi apelou "à Ucrânia e à Rússia, no sentido de voltarem ao diálogo direto e, com humildade, buscarem uma solução diferente da guerra", detalhou a presidência moçambicana em comunicado.

Na conversa com Zelensky, que durou mais de meia hora, Nyusi "lamentou e manifestou solidariedade pela perda de mais de dez mil vidas" e pelos "mais de doze milhões de deslocados, bem como a destruição de infraestruturas" na Ucrânia.

O chefe de Estado moçambicano justificou "a abstenção em relação à guerra entre a Rússia e a Ucrânia" nas Nações Unidas, "como uma postura decorrente da Constituição da República e da política externa que defendem a solução de diferendos por meio do diálogo".

Lusa

Eurodeputado espanhol defende que a UE tem de tratar todos refugiados da mesma maneira

O eurodeputado espanhol Juan Fernando López Aguilar reclamou hoje da União Europeia uma "mudança de visão" que garanta tratamento igual, "digno", a todos os refugiados, independentemente das zonas de conflito de onde são oriundos.

"A União Europeia precisa de mudar de visão. Tem de tratar da mesma forma todas pessoas oriundas de zonas de conflito e dar-lhes condições dignas. Permitir a escolha do local residência, dentro da União Europeia e, definir a sua distribuição equitativa de acordo com as capacidades de alojamento de cada Estado-membro", afirmou.

Aguilar, que preside à comissão das Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos do Parlamento Europeu, referia-se à forma como foi agilizado o acolhimento de sete milhões de refugiados ucranianos desde o início da invasão russa e, em contraponto com as "condições miseráveis em que se encontram milhares de pessoas provenientes de zonas de conflito na Síria ou Iraque".

Segundo o responsável, que falava a jornalistas portugueses durante um seminário promovido pelo Parlamento Europeu sobre a Ucrânia que hoje terminou em Estrasburgo, a diretiva temporária de proteção que a União Europeia ativada após a invasão russa da Ucrânia permitiu, "até agora, acolher na Europa sete milhões de ucranianos, sobretudo mulheres e crianças".

Lusa

Scholz acusa AfD de ser o "partido da Rússia"

O chanceler alemão acusou hoje a AfD de ser "o partido da Rússia" em resposta ao pedido desse grupo de suspender as sanções contra aquele país como medida para combater a inflação e o aumento dos preços da energia.

"Vejo que a Alternativa para a Alemanha (AfD) não é apenas um partido populista de direita, mas também o partido da Rússia", disse Olaf Scholz ao parlamento, como parte de uma sessão de perguntas com o governo.

O governante respondia a uma pergunta do deputado da AfD Stefan Kotré, que classificou as sanções como "inúteis" e "irrealistas" e questionou o que havia contra a colocação do gasoduto Nord Stream II em operação.

Segundo Scholz, o momento é de solidariedade com a Ucrânia e isso, disse, é apoiado por muitos alemães que voluntariamente economizam energia.

Lusa

Deputados russos votam a favor da criação de uma organização juvenil patriota

Os deputados russos aprovaram hoje a criação de um movimento nacional para crianças e adolescentes na Rússia, para ensinar aos mais novos os valores patrióticos, em semelhança às organizações juvenis soviéticas.

Aberto a todas as crianças a partir dos seis anos de idade, o movimento, que será financiado pelo Estado, tem o objetivo de "preparar crianças e jovens para a vida em sociedade, formando a sua visão do mundo com base nos valores espirituais e morais tradicionais russos, bem como incutir neles o amor e o respeito pela Pátria", explicaram os autores da iniciativa.

"O Estado deve criar condições que contribuam para o desenvolvimento integral espiritual, moral, intelectual e físico das crianças, para a aprendizagem do patriotismo, da responsabilidade civil e do respeito para com os adultos", lê-se numa nota explicativa anexa à lei.

Em semelhança aos "Pioneiros" soviéticos, uma organização juvenil do regime, a participação no movimento será numa base voluntária e para cada criança serão atribuídos tutores que as acompanharão, determinou a lei que foi hoje aprovada na Câmara baixa do Parlamento russo.

Lusa

Polónia acusa Rússia de piratear e divulgar e-mails do Governo

O primeiro-ministro polaco acusou hoje agências russas de invadirem os sistemas governamentais, manipularem e divulgarem ´e-mails` que alegadamente expõem as ligações entre o Governo e o poder judicial.

O primeiro-ministro, Mateusz Morawiecki, qualificou as fugas de informação como uma "provocação" dos serviços secretos russos e bielorussos, com o objetivo de semear a discórdia na Polónia, como vingança pelo apoio de Varsóvia à Ucrânia na invasão russa do país vizinho.

No correio eletrónico datado de 2019, que a imprensa polaca noticiou como tendo sido divulgados na segunda-feira, o principal assessor de Morawiecki, Michal Dworczyk, surge a informar o primeiro-ministro ter discutido alguns casos judiciais com alguém descrito como "presidente" Julia P., e que os casos foram suspensos.

A descrição é associada à responsável do controverso Tribunal Constitucional da Polónia, Julia Przylebska, nomeada pelo partido no poder.

Lusa

Bielorrússia: Polónia será o primeiro alvo caso seja atacada

A Bielorrússia vai considerar a Polónia o primeiro alvo militar, caso seja atacada e irá responder com golpes às infraestruturas de guerra e postos de comando, declarou hoje o vice-comandante do Estado-Maior General das Forças Armadas da Bielorrússia.

"No caso do início de um conflito, o território da Polónia e sua infraestrutura militar tornam-se o objetivo principal", disse Ruslán Kosiguin, segundo a agência oficial Belta.

O militar bielorrusso salientou que as autoridades polacas devem estar cientes de que, em caso de ataque, a Bielorrússia irá concentrar a sua resposta em "centros de decisão, sistemas de controlo, centros de implementação, arsenais e bases, além de alvos económicos importantes".

"Estamos preparados para vários desenvolvimentos da situação. Não queremos que esse roteiro seja militar, mas no Ocidente devem claramente entender que a nossa resposta a qualquer provocação armada será inequivocamente adequada e firme", disse.

Kosygin assinalou que a Bielorrússia dá especial atenção à implementação de sistemas de defesa antimísseis dos EUA na região europeia, e particularmente na Polónia, onde a base está prestes a ser lançada, o que é visto por Minsk como um desafio e uma ameaça militar.

"Todo o conjunto de preparativos militares no Ocidente, incluindo o território da Polónia, é uma amostra do trabalho planeado por Washington e Bruxelas, que sob a desculpa de conter ameaças do Oriente (...) formam grupos militares para a possível utilização nesta direção", disse.

Os militares bielorrussos concluíram que "em essência, tratam-se de preparativos para a realização de operações militares na direção leste".

Lusa

Forças Armadas ucranianas dizem que bloquearam avanço russo em Sloviansk

O Estado-Maior das Forças Armadas ucranianas disse hoje que os seus militares bloquearam as unidades inimigas que avançavam em direção à cidade de Sloviansk, na região de Donetsk, que é um potencial alvo de Moscovo.

Os separatistas pró-Rússia lutaram contra as forças ucranianas e controlaram grande parte do Donbass durante oito anos.

Antes de a Rússia invadir a Ucrânia em 24 de fevereiro, o Presidente russo, Vladimir Putin, reconheceu a independência das duas autoproclamadas repúblicas separatistas da região, Lugansk e Donetsk.

Autoridades separatistas em Donetsk disseram hoje que quatro civis morreram e outros 14 ficaram feridos, na sequência de bombardeamentos ucranianos nas últimas 24 horas. A imprensa local adiantou que o ataque atingiu um depósito de munições na terça-feira, provocando explosões maciças.

Lusa

Eurodeputado francês diz que desinformação é estratégia russa para criar caos

O eurodeputado francês Raphaël Glucksmann disse hoje que as campanhas de desinformação sobre a invasão da Ucrânia fazem parte de uma estratégia da Rússia para criar o caos e enfraquece as instituições europeias democráticas.

"A estratégia de caos cria caos e enfraquece as instituições europeias democráticas. Esse é o seu objetivo [da Rússia]. Por isso, a desinformação é utilizada como arma nas mãos do Governo russo", afirmou Glucksmann, presidente da Comissão especial sobre interferência estrangeira em todos os processos democráticos na União Europeia, incluindo desinformação.

O eurodeputado, que falava durante um seminário que hoje terminou, promovido pelo Parlamento Europeu para jornalistas portugueses relacionado com a situação na Ucrânia, disse que o tema tem sido intensamente estudado pela comissão, servindo-se até de informação de conselheiros do presidente russo, Vladimir Putin.

"O objetivo da propaganda e das 'fake news' russas não é convencer as pessoas. Creio que eles [russos] sabem que as pessoas não acreditam nessa propaganda. O que pretendem criar é o caos, uma zona sombra. Em certa medida não lhes interessa convencer as pessoas. Foi isso que tivemos dificuldade em entender", apontou.

Lusa

Embaixador ucraniano no Conselho Europeu diz que 70% das reformas para adesão "estão cumpridas"

O embaixador ucraniano no Conselho da Europa disse hoje que "70% das reformas para adesão do país à União Europeia (UE) estão cumpridas", e está "otimista" quanto à rapidez do processo que poderá demorar "meses ou anos".

"Faltam fazer 30% de reformas mas o Governo sabe qual é o trabalho de casa que tem de fazer (...) Só vontade política da União Europeia de iniciar as negociações com a Ucrânia para a sua entrada como Estado-membro é que indicará a rapidez do processo, mas estou otimista", afirmou Borys Tarasyuk, que garantiu que "não será a repetição do caso da Turquia".

Quando questionado pelos jornalistas que participam num seminário promovido pelo Parlamento Europeu sobre a Ucrânia, o representante permanente no Conselho da Europa, apontou a corrupção como uma das "prioridades" a resolver, indicando ter sido nomeada uma procuradoria anticorrupção.

O embaixador, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, disse que a guerra de larga escala desencadeada pela Rússia "mudou o mundo" e fez nascer "uma nova ordem geopolítica".

Lusa

Conselheiro de Zelensky diz que governo ucraniano está empenhado na reconstrução e reforma

Um conselheiro presidencial ucraniano assegurou hoje o empenho das autoridades de Kiev em cumprir o plano de reconstrução e reforma do país candidato à adesão à União Europeia (UE), apresentado na conferência de Lugano.

Representantes de quase quatro dezenas de países, incluindo Portugal, e cerca de 15 instituições internacionais participaram esta semana, em Lugano, Suíça, numa conferência sobre a reconstrução da Ucrânia após a guerra iniciada pela Rússia em 24 de fevereiro.

O primeiro-ministro ucraniano, Denis Chmygal, apresentou na conferência um plano com um investimento de 750.000 milhões de dólares (mais de 736.600 milhões de euros, ao câmbio atual) num prazo de 10 anos, que inclui reformas relacionadas com a adesão da Ucrânia à UE.

"Vamos levar muito a sério a reconstrução da Ucrânia, a reforma da Ucrânia", disse Alexander Rodnyansky numa entrevista à agência francesa AFP em Lugano.

Lusa

Líder da Comissão do Parlamento Europeu para Energia alerta para "inverno difícil" na Europa

O eurodeputado romeno Christian Busoi, que lidera a Comissão Parlamentar da Indústria, da Investigação e da Energia disse hoje que se antevê um "inverno difícil" na Europa, caso se concretize um eventual corte de fornecimento de gás da Rússia.

"Advinha-se um inverno difícil. Por isso, é importante que todos os Estados-membros tenham planos de crise e soluções para lidar com um eventual bloqueio russo, se ele ocorrer e, a médio prazo, diversificar as fontes de fornecimento de energia, aumentar a eficiência energética e, muito importante, realizar um forte investimento no hidrogénio", afirmou hoje o eurodeputado romeno.

"Com 10 milhões de toneladas de produção na União Europeia até 2030 e 10 milhões de importação estou certo que conseguiremos fazer face às necessidades criadas pelo corte do gás russo", realçou.

Busoi, que falava durante num seminário que o Parlamento Europeu está a promover com jornalistas portugueses relacionado com a situação na Ucrânia, justificou o risco com o facto de a "Rússia estar a usar o gás natural como arma política, também por já ter começado a cortar ou a reduzir o fornecimento".

Lusa

Governo diz ser o momento certo para libertar UE da dependência de energia russa

O secretário de Estado dos Assuntos Europeus disse hoje que "está na altura de passar das palavras aos atos" nas interligações energéticas entre a Península Ibérica e o resto da União Europeia (UE) para reduzir a dependência da Rússia.

Tiago Antunes, que falava durante num seminário que o Parlamento Europeu está a promover com jornalistas portugueses, relacionado com a situação na Ucrânia, disse que a necessidade de reduzir a atual dependência energética em relação à Rússia dá o "ímpeto" para avançar com este processo que tem vindo a arrastar-se.

"É altura de passar das palavras aos atos. São investimentos avultados, mas agora é o momento para dar ímpeto a este processo", afirmou.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, anunciou hoje perante o Parlamento Europeu que o seu executivo vai apresentar este mês um plano de emergência europeu para precaver um eventual corte total de fornecimento de gás russo.

Lusa

Comissão Europeia recomenda verificação de antecedentes a anfitriões de refugiados

A Comissão Europeia recomenda a realização de verificações de antecedentes aos anfitriões de refugiados ucranianos para assegurar que as ofertas de alojamento são seguras, face aos riscos de tráfico de pessoas e de exploração, sexual ou laboral.

A recomendação do executivo comunitário consta de um "guia de boas práticas" elaborado para consulta pública e de apoio à iniciativa "Lares Seguros", esta quarta-feira apresentado pela comissária europeia dos Assuntos Internos, Ylva Johansson, numa reunião da plataforma de solidariedade com a Ucrânia, no quadro da invasão russa, iniciada em 24 de fevereiro.

De acordo com o guia de boas práticas, destinado aos Estados-membros e também a autoridades regionais e locais que cooperam no acolhimento de pessoas que fogem da guerra na Ucrânia, é "essencial" que sejam levados a cabo procedimentos de verificação e controlo dos antecedentes dos anfitriões, "para assegurar que a habitação privada é segura e protegida".

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Retirada de civis no Donbass ucraniano continua ante o implacável avanço russo

A retirada de civis continua esta quarta-feira na cidade ucraniana de Sloviansk perante o avanço das forças russas, que procuram conquistar toda bacia de mineração do Donbass, no leste do país.

A cidade, que antes da guerra tinha 100 mil habitantes, é alvo de bombardeamentos russos em massa há vários dias.

"Vinte e dois anos de trabalho e perdi tudo", lamentou Yevgen Oleksandrovych, de 66 anos, em conversa com a AFP, enquanto observava a sua loja de autopeças reduzida aos escombros.

Ontem, jornalistas da AFP foram testemunhas da queda de vários mísseis sobre o mercado da cidade e nas ruas adjacentes, onde os bombardeamentos multiplicam as intervenções para apagar os incêndios. A parte do mercado que não ficou danificada continua a funcionar e a servir clientes.

AFP

Rússia aprova duras penas de prisão contra pedidos de ação contra a segurança do país

A Rússia adotou esta quarta-feira duras penas de prisão para pessoas que estimulam ações contra a segurança, um texto aprovado pelos deputados no momento em que Moscovo reprime todas as vozes contrárias à ofensiva militar na Ucrânia.

A lei, que prevê penas de até sete anos de prisão por este crime, foi votada na Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo, que também endureceu as penas por espionagem e para os casos de "colaboração confidencial com estrangeiros".

Oficialmente, os projetos de lei procuram "proteger os interesses nacionais da Rússia".

"São uma resposta adequada e oportuna aos desafios que nosso país enfrenta", afirmou em comunicado o deputado Vasiliy Piskariov, do partido governista Rússia Unida.

AFP

Deputados russos aprovam criação de movimento patriótico para crianças e adolescentes

Os deputados russos votaram esta quarta-feira a criação de um movimento nacional para crianças e adolescentes. Com o objetivo de implantar valores patrióticos, o sistema é remanescente das organizações soviéticas.

O movimento será aberto para crianças a partir dos seis anos e será financiado pelo Estado. A orientação é "preparar as crianças e os jovens para a vida em sociedade, formando a sua visão do mundo baseada nos tradicionais valores espirituais e morais russos".

Os autores da iniciativa ainda incluíram o dever de "transmitir o amor e o respeito pela pátria".

"O Estado deve criar condições que contribuam ao desenvolvimento espiritual, moral, intelectual e físico das crianças de maneira exaustiva, para a aprendizagem do patriotismo, da responsabilidade civil e o respeito aos adultos", destacou uma nota explicativa da lei.

AFP

País tem de combater corrupção para receber ajuda à recuperação - PNUD

A Ucrânia deve combater ativamente a corrupção face ao grande fluxo de ajudas para a reconstrução que o país vai receber, defendeu esta quarta-feira o diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Achim Steiner.

Combater a corrupção, que era endémica no país mesmo antes da guerra, "impede o roubo do seu próprio povo", afirmou o responsável, em declarações à agência francesa de notícias AFP, um dia depois da conclusão de uma conferência internacional sobre a reconstrução da Ucrânia, que se realizou na segunda e terça-feira em Lugano, na Suíça.

A conferência serviu para os líderes ucranianos e os seus aliados desenharem os contornos de uma futura reconstrução do país, devastado pelo exército russo, adotando princípios orientadores que incluíram a luta contra a corrupção.

"A corrupção é, em última análise, um roubo do desenvolvimento nacional, do erário público e, em última análise, do povo do país", sublinhou Steiner.

O primeiro-ministro ucraniano, Denys Chmygal, estimou que a reconstrução do país agora candidato à União Europeia (UE) implicará um investimento de 750.000 milhões de dólares (cerca de 728.000 milhões de euros) num prazo de 10 anos.

Rússia nega que a Turquia deteve cargueiro com cereais ucranianos

A Rússia negou esta quarta-feira que a Turquia tenha apresado um cargueiro russo que a Ucrânia denunciou que transporta trigo retirado ilegalmente do país, mas admitiu que as autoridades turcas estão a verificar o navio.

A Ucrânia disse que o cargueiro "Zhibek Zholy" zarpou do porto ucraniano de Berdiansk, ocupado pela Rússia, na quinta-feira, 30 de junho, carregado com 7.000 toneladas de trigo obtido ilegalmente, tendo pedido à Turquia que apresasse o navio.

"O navio encontra-se atualmente no porto [turco] de Karasu [no Mar Negro]. Os procedimentos normais estão em curso, incluindo um exame sanitário", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Alexei Zaitsev, citado pela agência francesa AFP.

Zaitsev disse que no final das verificações, "as autoridades turcas permitirão ou recusarão a entrada no porto".

"Não se trata de apresar ou parar o cargueiro", acrescentou o porta-voz, numa conferência de imprensa.

Uma fonte diplomática turca disse à AFP, na terça-feira, que estava em curso uma inspeção a bordo do cargueiro ancorado ao largo da costa da Turquia no Mar Negro.

O Governo russo reconheceu, na segunda-feira, que o navio tem bandeira russa, mas rejeitou qualquer ato ilícito.

Lusa

Medvedev volta a falar no uso de armas nucleares caso a Rússia seja punida por tribunais internacionais

O ex-presidente russo, Dmitri Medvedev, voltou a falar esta quarta-feira numa eventual utilização de armas nucleares, descartando a possibilidade de uma punição dirigida à Rússia pela justiça internacional, isto numa altura em que o Tribunal Penal de Haia investiga acusações de crimes de guerra na Ucrânia.

"A ideia de punir um país que tem o maior arsenal nuclear do mundo é absurda por si só. E isto cria uma potencial ameaça à existência da humanidade", escreveu no Telegram o atual vice-presidente do influente Conselho de Segurança da Rússia.

Também criticou o governo dos Estados Unidos, que acusou de desejar levar a Rússia à justiça internacional, apesar de Washington nunca ter sido punido pelas guerras que iniciou em vários países do mundo e que, segundo Medvedev, fizeram 20 milhões de mortos.

AFP

Governador de Donetsk apela aos 350 mil habitantes que abandonem a região

O governador da região de Donetsk, na Ucrânia, Pavlo Kyrylenko, apelou na terça-feira aos seus 350.000 habitantes para fugirem, enquanto a Rússia aumenta a ofensiva e são emitidos alertas aéreos em quase todo o país.

Pavlo Kyrylenko disse que é necessário retirar as pessoas da província de Donetsk para salvar vidas e permitir que o exército ucraniano defenda melhor as cidades do avanço russo.

"O destino de todo o país será decidido pela região de Donetsk", vincou, em declarações a jornalistas em Kramatrosk, o centro administrativo regional ainda sob controlo ucraniano.

O presidente ucraniano, Volodymr Zelenskyy, explicou que foram emitidos ontem à noite alertas aéreos em quase todo o país, em vários lugares depois de um longo período de relativa calma durante o qual as pessoas procuraram uma explicação.

"Não se deve procurar lógica nas ações dos terroristas", disse Zelenskyy num discurso, em vídeo, acrescentando que "o exército russo não faz pausas", já que "tem uma tarefa: tirar a vida das pessoas, intimidar as pessoas -- para que mesmo alguns dias sem alarme aéreo já pareçam parte do terror".

O governador de Kramatorsk disse que, por abrigar uma infraestrutura crítica, como plantas de filtragem de água, os principais alvos da Rússia agora são esta cidade e a cidade de Sloviansk.

Pavlo Kyrylenko descreveu o bombardeamento como "muito caótico" sem "um alvo específico... apenas para destruir a infraestrutura civil e áreas residenciais".

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Especialistas apontam para custos altos para a Rússia após conquista de Lugansk

Após mais de quatro meses de conflitos, a Rússia reivindicou controlo total da região ucraniana de Lugansk (leste) com a conquista das cidades de Severodonetsk e Lysychansk, mas, segundo especialistas, teve um custo muito alto para Moscovo.

A questão que impõem agora é se a Rússia consegue reunir a força suficiente para completar a captura do Donbass e conquistar outras zonas da Ucrânia.

"Sim, os russos tomaram a região de Lugansk, mas a que preço?", questionou o analista militar em território ucraniano Oleh Zhdanov, observando que algumas unidades russas já perderam até metade dos seus militares.

Até o presidente da Rússia, Vladimir Putin, reconheceu na segunda-feira que as suas tropas precisam de "descansar um pouco e reforçar a sua capacidade de combate".

Isso levanta dúvidas sobre se as forças de Moscovo e os seus aliados separatistas estão preparados para avançar rapidamente em Donetsk, a outra região que faz parte do Donbass.

Oleh Zhdanov prevê que os russos provavelmente irão confiar no seu poder de fogo para "aplicar as mesmas táticas de terra arrasada e explodir cidades inteiras" em Donetsk.

Moscovo não tem atualizado uma contagem de baixas desde que indicou que cerca de 1.300 militares foram mortos no primeiro mês de conflito, mas as autoridades ocidentais disseram que isso foi apenas uma fração das perdas reais.

Lusa