Amnistia lamenta "dor" causada por relatório sobre Ucrânia, mas mantém conclusões

Organização foi criticada por acusar as forças ucranianas de pôr em risco os civis ao criar bases em escolas e hospitais.

A Amnistia Internacional disse este domingo "lamentar profundamente a angústia e a raiva" que causou ao alegar que as forças ucranianas estavam a desrespeitar as leis internacionais ao expor os civis ao fogo russo. "Enquanto defendemos totalmente as nossas descobertas, lamentamos a dor causada", indicou o grupo de defesa dos direitos humanos, reiterando que "nada do que documentámos sobre a ação das forças ucranianas justifica de forma alguma as violações russas".

A Amnistia causou indignação na Ucrânia com a publicação, na quinta-feira, de um relatório que acusava os militares de pôr em perigo os civis ao criar bases em escolas e hospitais e lançar contra-ataques a partir de zonas densamente povoadas. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que o grupo tentou "mudar a responsabilidade do agressor para a vítima".

Por causa do relatório, a líder do escritório da Amnistia na Ucrânia, Oksana Pokalchu, demitiu-se em protesto, acusando a organização de repetir a propaganda do Kremlin. No documento, a Amnistia lista uma série de incidentes nos quais as forças ucranianas parecem ter exposto civis ao perigo em 19 localidades nas regiões de Khar-kiv, Donbass e Mykolaiv.

Na sua declaração deste domingo, o grupo recusou recuar nas conclusões, explicando ter "encontrados ocasiões em que as forças ucranianas se instalaram ao lado de zonas onde os civis estavam a viver, colocando-os potencialmente em risco de fogo russo". Alega ter chegado a estas conclusões "baseada nas regras das leis humanitárias internacionais, que requerem que todas as partes de um conflito evitem colocar, na medida do possível, objetivos militares dentro ou perto de áreas densamente povoadas".

Ainda assim, admite o impacto do seu relatório. "A Amnistia Internacional lamenta profundamente a angústia e a raiva que o nosso comunicado de imprensa sobre as táticas de combate dos militares ucranianos causou", afirmou. Desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, a 24 fevereiro, a organização disse ter entrevistado centenas de vítimas ucranianas "cujas histórias iluminam a realidade brutal da guerra de agressão russa".

Nesse sentido, "desafiámos o mundo a demonstrar a sua solidariedade com os ucranianos através de ações concretas, e continuaremos a fazê-lo".

No 166.º dia de guerra na Ucrânia, Moscovo e Kiev continuam a culpar-se mutuamente de novos ataques em redor da central nuclear de Zaporíjia - que deixam alarmada a Agência Internacional de Energia Atómica. E enquanto os combates prosseguem ao longo da linha da frente no sul e no leste do país, quatro novos navios com cereais deixaram os portos ucranianos - três de Chornomorsk e um de Odessa.

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