Exclusivo A longa marcha pela igualdade de género

Nzinga, Margaret Thatcher, Toni Morrisson... exemplos de Mulheres na História do Mundo, título do livro da norte-americana Bonnie G. Smith e um mote para esta conversa com o DN. "Recuperar a história das mulheres tornou-se uma missão para mim", assume.

Nos primeiros anos do século XVII, tendo os portugueses de negociar com o povo ambundo, predominante na região central de Angola, foram estes surpreendidos por uma rainha tão majestosa no porte como decidida na ação política. Nzinga (ou Ginga) Mbande, que sucedera no trono ao seu irmão, mostrou o calibre de que era feita quando, num encontro promovido pelos portugueses, se recusou a sentar no chão, em posição de subalternidade em relação ao promotor da reunião, o único numa cadeira digna desse nome. Sem se dar por vencida, Nzinga mandou um dos servidores que a acompanhavam baixar-se, de modo que ela se sentasse nas suas costas e assim ficasse à mesma altura que o português.

Esta rainha guerreira, que exasperava os portugueses, é uma das muitas mulheres destacadas no livro da norte-americana Bonnie G. Smith Mulheres na História do Mundo - De 1450 ao Presente. Concebida como "um mosaico de tecelãs, curandeiras, escravas e patroas, assassinas, artistas, trabalhadoras do sexo, mães, manifestantes e chefes dos governos modernos", esta obra, que acaba de ser lançado em Portugal pela Temas e Debates, tem a ambiciosa missão de fazer um estudo da vida das mulheres em sociedade não apenas nos últimos 500 anos, o que já não seria pouco, mas também de comparar civilizações, desde a Europa da expansão marítima ao Japão dos samurais, das sociedades pré-colombianas à China imperial. A autora, nascida no Connecticut em 1940, foi professora na Universidade de Rutgers e tem uma vasta obra publicada no âmbito dos estudos de género e da história das mulheres. Falámos com ela sobre este livro, que, apesar das quase 500 páginas, se lê de um fôlego.

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