Vice-PR da Guiné Equatorial acusado de branquear centenas de milhões de euros em França

O vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Nguema Obiang, é acusado de branquear "várias centenas de milhões de euros" em França resultantes de comissões de empresas e fundos públicos do seu país, segundo um relatório da investigação divulgado pela imprensa.

Teodoro Nguema Obiang é também filho do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo.

O relatório dos investigadores do Gabinete Central para a Repressão dos crimes financeiros graves (OCRGDF), de 23 de junho de 2014, foi divulgado na quinta-feira pelo 'site' de informação francês Médiapart, informou hoje a agência noticiosa espanhola EFE.

Os investigadores sublinham que o dinheiro administrado pelo "número dois" do regime de Malabo "não pode ser de origem legal", justificando com "as quantidades consideráveis constatadas (várias centenas de milhões de euros) em determinadas operações cuja origem principal é o Tesouro Público da Guiné Equatorial".

Os agentes consideram que "a dimensão internacional" das compras feitas pelo filho do chefe de Estado, em França, Estados Unidos ou Brasil, assim como o "seu volume (...) só se pode explicar por comissões ilegais pagas por empresas que querem trabalhar na Guiné Equatorial e/ou por apropriação indevida de fundos do Tesouro Público" do país.

Entre as compras feitas em França, é destacada a de um palacete de 4.000 metros quadrados em Paris, próximo do Arco do Triunfo, em 2005 por 25 milhões de euros, a que acrescem 12 milhões em obras. A casa foi avaliada recentemente em 107 milhões de euros.

Os advogados de Teodoro Nguema Obiang, conhecido como "Teodorin" e que é acusado de branqueamento em França, tentaram convencer a justiça de que o palacete era um anexo da embaixada, o que o OCRGDF rejeita devido a "várias inconsistências" no documento oficial "elaborado com urgência" poucos dias antes das buscas à casa em setembro de 2011.

Nas buscas, os agentes encontraram "objetos, roupa e outros bens pessoais" de Obiang, assim como 17 automóveis de luxo avaliados em mais de sete milhões de euros, 16 dos quais foram leiloados pelo organismo encarregado de recuperar fundos de atividades ilícitas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG