Varoufakis: os credores são os verdadeiros vencedores

Ex-ministro das Finanças apoiou a Unidade Popular, formada por dissidentes do Syriza, que ficou de fora do Parlamento grego

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, conseguiu manter-se no governo com "uma maioria reduzida, mas viável", sendo os grandes derrotados da noite os pequenos partidos que ocupavam os extremos do debate depois do referendo de julho. "O grande vencedor foi a própria troika", defendeu o ex-ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, que diz que o Syriza ganhou com três promessas que os credores irão tornar difícil de cumprir.

"Desafiando os partidos da oposição, as sondagens e os críticos dentro das próprias fileiras (incluindo este escritor), Tsipras manteve o governo com uma maioria reduzida, mas viável", escreveu o ex-ministro no The Guardian. Varoufakis tinha apoiado a Unidade Popular, formação criada por 25 dissidentes do Syriza liderados pelo ex-ministro da Energia, Panagiotis Lafazanis, e pela presidente do Parlamento, Zoe Konstantopoulou. O partido não elegeu um único deputado - teve 2,9% dos votos, abaixo do mínimo de 3% para entrar no Parlamento.

"A Unidade Popular falhou incrivelmente na exploração da dor sentida por uma maioria dos eleitores do "não" após a volta de 180º de Tsipras a favor de um acordo que restringiu ainda mais a soberania nacional e aumentou os níveis já cruéis de austeridade", escreveu Varoufakis. O outro derrotado, na sua opinião, foi o To Potami que não conseguiu mobilizar o voto do "sim" graças a um Tsipras que fez com que os partidos pró-troika não tivessem nada de novo a oferecer.

Na leitura dos resultados, o ex-ministro diz que a democracia saiu "profundamente ferida" já que 1,6 milhões de gregos que votaram no referendo não foram domingo às urnas. E lembra que Tsipras tem agora que implementar um programa de reformas e de consolidação fiscal que está "desenhado para falhar". Varoufakis escreve que o plano do primeiro-ministro para enfrentar a tempestade se baseia em três promessas: o acordo com a troika é um trabalho por acabar, deixando espaço para negociar detalhes importantes; o alívio da dívida deverá ocorrer em breve; e os oligarcas gregos serão combatidos. "O problema é que está severamente limitado pelo acordo que já assinou."

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