Um país partido ao meio para Dilma voltar a unir

Eleição dividiu o Brasil. Velho discurso da luta de classes voltou. Presidente promete mudanças. Eleições de 2018 são logo ali

Sobre os escombros da mais emocionante e feroz das eleições presidenciais da história democrática do Brasil, Dilma Rousseff, reeleita presidente até 2018, falou em "união", "diálogo" e "pontes". A presidente, que obteve 51,6% dos votos contra 48,4% do adversário Aécio Neves, tem consciência de que vai pegar num país dividido.

Não apenas do ponto de vista eleitoral, mas também geográfico e socioeconómico. A candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) venceu com larga margem no Norte e Nordeste, regiões mais carentes, e entre os que ganham até cerca de 1500 euros; perdeu, com folga, para o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) no Sul, mais modernizado, e entre os brasileiros com maiores rendimentos.

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EUA

Elizabeth Warren tem um plano

Donald Trump continua com níveis baixos de aprovação nacional, mas capacidade muito elevada de manter a fidelidade republicana. A oportunidade para travar a reeleição do mais bizarro presidente que a história recente da América revelou existe: entre 55% e 60% dos eleitores garantem que Trump não merece segundo mandato. A chave está em saber se os democratas vão ser capazes de mobilizar para as urnas essa maioria anti-Trump que, para já, é só virtual. Em tempos normais, o centrismo experiente de Joe Biden seria a escolha mais avisada. Mas os EUA não vivem tempos normais. Kennedy apontou para a Lua e alimentava o "sonho americano". Obama oferecia a garantia de que ainda era possível acreditar nisso (yes we can). Elizabeth Warren pode não ter ambições tão inspiradoras - mas tem um plano. E esse plano da senadora corajosa e frontal do Massachusetts pode mesmo ser a maior ameaça a Donald Trump.