Um morto em tiroteio em Copenhaga numa iniciativa pela liberdade de expressão

(Atualizada às 20:45) Revelado áudio do momento do ataque. Polícia confirmou que um cidadão foi morto pelos disparos e divulgou uma foto de um suspeito. Atirador em fuga.

Um homem de 40 anos morreu e três polícias ficaram feridos num tiroteio em Copenhaga, capital da Dinamarca, durante uma conferência que decorria num café da cidade. No evento, intitulado "A arte, a blasfémia e a liberdade de expressão", participava o controverso artista sueco Lars Vilks, avançam as agências de notícias suecas. Vilks gerou polémica em 2007, ao publicar 'cartoons' em que mostrava o profeta Maomé como um cão, desencadeando ameaças de vários grupos islamitas. Desde então, vive rodeado de medidas de segurança.

(Em cima, imagens transmitidas pela televisão dinamarquesa)

Esta tarde, a polícia revelou a imagem em baixo como sendo a do suspeito do ataque, que terá agido sozinho:

Segundo a BBC, do exterior do café foi possível ouvir mais de 40 disparos. A estação britânica divulgou o áudio do momento do ataque.

Pouco depois das 17.30, hora local - menos uma hora em Lisboa - a polícia dinamarquesa confirmou à agência Reuters a morte de um cidadão de 40 anos, que se encontrava no local, e ferimentos em três agentes da autoridade que faziam segurança no evento, organizado, segundo o Le Monde, em homenagem às vítimas do massacre do semanário Charlie Hebdo.

Chegou a falar-se em dois atiradores, mas a polícia veio mais tarde dizer que se tratará apenas de um, que está em parte incerta, escreve o Le Monde. Não conseguiu introduzir-se na sala onde decorria a conferência, que estava protegida por detetores de metais, e terá disparado do exterior, tendo prosseguido a marcha em seguida num Volkswagen. Neste momento, está a ser procurado pelas autoridades. De acordo com o jornal francês, o automóvel usado no ataque já foi encontrado nas imediações do local.

O embaixador francês em Copenhaga, François Zimeray, participava também no evento. Imediatamente após o tiroteio, escreveu no Twitter "Ainda vivo na sala".

À AFP, Zimeray confirmou que os disparos vieram do exterior. "Era a mesma intenção que no Charlie Hebdo, mas aqui eles não conseguiram entrar", explicou o embaixador francês na Dinamarca. "Intuitivamente, diria que houve pelo menos 50 disparos, as autoridades dizem-nos que foram 200. As balas passaram através das portas e toda a gente se atirou para o chão".

Um jornalista no local, Magnus Bjerg, publicou no Twitter imagens do exterior do café, mostrando as marcas das balas nas janelas.

De acordo com o britânico The Guardian, o evento no café de Copenhaga, conhecido pelos concertos de jazz, assinalava também o 26.º aniversário da 'fatwa' de condenação à morte do escritor Salman Rushdie, lançada no Irão pelo 'ayatollah' Khomeini.

(Atualização às 20:45. Inclui-se link para a BBC com áudio do momento do ataque)

Atualização às 19:25. Altera título para precisar ter-se tratado de uma iniciativa pela liberdade de expressão, corrige-se informação de ter-se tratado de dois atiradores e inclui-se foto divulgada pela polícia dinamarquesa como sendo um dos suspeitos do ataque)

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