Talibãs matam quase 90 pessoas durante jogo de voleibol no Paquistão

Islamitas atacaram localidade cujos habitantes formaram uma milícia antitalibã. Nesta vila nem sequer existe médico

Parte da população de uma vila do noroeste do Paquistão assistia ontem a um jogo de voleibol entre duas equipas locais quando um bombista suicida irrompeu no recinto ao volante de um todo-o-terreno, fazendo explodir o veículo entre as centenas de espectadores.

O balanço provisório apontava para 88 mortos e quase 40 feridos. Muitos dos feridos encontram-se em estado grave, o que deixa antever um número ainda maior de vítimas fatais.

"Vários edifícios ruíram e estamos a tentar remover as pessoas presas nos destroços, que são principalmente mulheres e crianças", referiu um responsável local. "Uma das bancadas erguida para o jogo desabou também", adiantou a mesma fonte.

O ataque sucedeu na localidade de Shah Hasan Khan, onde "nem sequer existe médico. Os habitantes tiveram de colocar as vítimas nos seus próprios veículos e transportá-los para o hospital da cidade de Lakki Marwat", explicou o chefe da polícia distrital, Ayub Khan. Lakki Marwat situa-se a mais de 30 quilómetros de Shah Hasan Khan, localidade onde os habitantes organizaram uma milícia anti-talibã; o atentado de ontem é "uma reacção contra esse facto", referiu ainda o mesmo responsável policial.

No mesmo instante em que se verificou o atentado, decorria numa mesquita próxima do local do jogo uma reunião do comité anti-talibã da localidade, mas a explosão não atingiu sequer o edifício.

A vila atacada situa-se no distrito de Bannu, vizinho ao Vaziristão do Sul, região sob controlo dos talibãs, e esteve sob influência destes até à ofensiva das forças armadas paquistanesas em Outubro passado. O principal grupo islamita radical, o Movimento dos Talibãs do Paquistão (MTP), sofreu algumas derrotas e perdeu expressão na província e regiões circunvizinhas.

Os islamitas radicais têm procurado contrabalançar estes reveses com profusos atentados bombistas numa clara estratégia de intimidação das populações.

Nestes ataques morreram mais de 500 civis desde Outubro. Desde o agravamento do conflito entre o Governo de Islamabad, em 2006, e os grupos radicais estima-se que tenham morrido quase três mil pessoas em atentados.

O ministro do Interior, Rehman Malik, revelou ontem que as investigações em curso ao atentado de segunda-feira contra uma procissão xiita em Carachi não foi, ao contrário das informações iniciais, um ataque suicida. A acção que foi reivindicada pelo MTP, que advoga uma forma extrema do islão sunita, causou 43 mortos e mais de 60 feridos. A Al-Qaeda, assim como certos grupos sunitas, considera os fiéis xiitas como alvos legítimos dos seus ataques.

O ministro paquistanês referiu a existência de imagens mostrando a presença de vários atacantes que terão accionados os engenhos explosivos. O governante indicou estar em curso uma outra investigação para identificar os responsáveis pelos protestos e actos de destruição da responsabilidade de xiitas, que se seguiram ao atentado.

Capital económica do Paquistão, Carachi era ontem uma cidade de ruas quase vazias e com a maioria do comércio fechado, segundo notícias divulgadas ao final do dia pelos principais media do país. Elementos da polícia e do exército, fortemente armados, eram presença constante nas principais artérias da cidade.

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