Soldado soviético é encontrado 33 anos depois

Um soldado soviético, que desapareceu no Afeganistão há 33 anos, foi encontrado vivo na província ocidental de Herat.

O soldado é hoje um semi-nómada conhecido por Sheikh Abdullah, o nome afegão que resolveu adotar, noticia a BBC. O homem, que trabalha com plantas medicinais, foi encontrado por outros soldados veteranos de guerra da antiga União Soviética.

Bakhretdin Khakimov, o nome verdadeiro do soldado, foi ferido numa batalha em 1980, tendo sido resgatado mais tarde por afegãos locais.

Dez anos volvidos após a retirada soviética do Afeganistão, em 1989, a Comissão de Veteranos conseguira encontrar 29 soldados desaparecidos. Enquanto 22 destes combatentes quiseram voltar para casa, 7 preferiram permanecer no Afeganistão. Sheikh Abdullah, sem mulher nem filhos, faz parte destes 7 que não regressaram à União Soviética. Os veteranos perderam-lhe o até agora. Ruslan Aushev, o líder da Comissão, informou que Sheikh Abdullah foi localizado em Shindand, Hera, depois de uma investigação de um ano.

Cerca de 15.000 soldados do Exército Vermelho e mais de um milhão de afegãos foram mortos numa única década de luta, entre um governo apoiado pelos soviéticos e combatentes mujahideen armados pelos vizinhos ocidentais e islâmicos.

Existem ainda 264 soldados soviéticos desaparecidos no Afeganistão.

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Uma consequência inevitável da longevidade enquanto figura pública é a promoção automática a um escalão superior de figura pública: caso se aguentem algumas décadas em funções, deixam de ser tratadas como as outras figuras públicas e passam a ser tratadas como encarnações seculares de sábios religiosos - aqueles que costumavam ficar quinze anos seguidos sentados em posição de lótus a alimentar-se exclusivamente de bambu antes de explicarem o mundo em parábolas. A figura pública pode não desejar essa promoção, e pode até nem detectar a sua chegada. Os sinais acumulam-se lentamente. De um momento para o outro, frases suas começam a ser citadas em memes inspiradores no Facebook; há presidentes a espetar-lhes condecorações no peito, recebe convites mensais para debates em que se tenciona "pensar o país". E um dia, subitamente, a figura pública dá por si sentada à frente de uma câmera de televisão, enquanto Fátima Campos Ferreira lhe pergunta coisas como "Considera-se uma pessoa de emoções?" ou "Acredita em Deus?".

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