Sínodo dos bispos volta atrás na aceitação de homossexuais

(Atualizada) A proposta para uma maior aceitação de homossexuais na Igreja Católica não foi aprovada pela maioria dos bispos reunidos em sínodo.

Segundo avança o site da BBC, o Papa Francisco não conseguiu que a maioria dos bispos reunidos em sínodo aprovasse o documento que visava uma maior aceitação e inclusão, por parte da Igreja Católica, dos homossexuais, divorciados e das uniões civis.

O atual líder da Igreja Católica tem demonstrado uma maior aceitação relativamente aos homossexuais do que os seus antecessores. Ainda na segunda-feira foi emitida uma declaração inicial por parte do sínodo em que se expressava uma vontade de incluir e aceitar os homossexuais na igreja. "Muitas vezes [os homossexuais] procuram uma igreja que lhes ofereça um lar acolhedor. Serão as nossas comunidades capazes de fornecer isso, aceitando e valorizando a sua orientação sexual, sem comprometer a doutrina católica acerca da família e do matrimónio?, podia-se ler no documento.

No entanto não se conseguiu que 2/3 dos bispos reunidos tenham aprovado esta medida, tendo o relatório final sido aprovado sem acordo sobre divorciados e homossexuais.

Citado pela agência France Presse, o porta-voz do papa, padre Frederico Lombardi, disse que o relatório final foi "reequilibrado" para ter em conta a relutância dos prelados mais conservadores.

O relatório faz um inventário dos problemas diversos da família nos cinco continentes, como o acolhimento pela Igreja dos casais em união de facto, homossexuais ou divorciados.

Foram 183 bispos com direito a voto que participaram na votação de cada um dos 62 parágrafos do relatório. Para serem aprovados, têm de reunir a votação favorável de dois terços.

Três dos pontos não obtiveram essa maioria qualificada e dizem respeito ao acesso aos sacramentos por divorciados que voltaram a casar e ao acolhimento dos homossexuais.

A Igreja Católica proíbe aos casais divorciados e recasados o acesso a sacramentos como a confissão, o batismo ou a comunhão, por considerar que o casamento católico é indissolúvel.

Depois de duas semanas de debates, os bispos católicos terminaram o sínodo sobre a família que, nos últimos dias, foi marcado por polémicas em torno da abertura da Igreja a modelos familiares não tradicionais, nomeadamente com pessoas homossexuais.

"Quanto a estes pontos não podemos considerar que há um consenso do sínodo. Mas isso não significa que eles são completamente rejeitados", explicaram vários porta-vozes, citados pela France Presse.

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