Rússia quer mostrar com manobras aéreas que é uma "grande potência"

O comandante supremo da NATO na Europa, o general norte-americano Philip Breedlove, acha que é esta a mensagem das incursões.

"A minha opinião é que estão a enviar-nos uma mensagem. Estão a dizer que são uma grande potência", disse Breedlove, em declarações aos jornalistas.

Moscovo, segundo o comandante supremo das forças aliadas na Europa, quer mostrar que pode exercer influência sobre as resoluções da Aliança Atlântica.

Na semana passada, a NATO informou sobre uma série de movimentações aéreas russas (com caças, bombardeiros de longo curso e aviões de abastecimento) sobre a zona do Báltico, Mar do Norte e no Oceano Atlântico, dias antes da realização das eleições nas regiões separatistas e pró-russas de Donetsk e Lugansk, no leste da Ucrânia, que decorreram no domingo passado.

Entre terça e quarta-feira, foram intercetados vários aviões russos, manobras que também envolveram caças F-16 da Força Aérea Portuguesa, ao serviço da NATO, que intercetaram e escoltaram dois aviões militares russos que se encontravam em espaço aéreo sob jurisdição de Portugal.

Na sexta-feira, a NATO informou que aviões russos tinham voltado a sobrevoar a Europa, tendo detetado múltiplos voos, incluindo de dois aparelhos Tupolev 95 que foram escoltados por F-16 da Força Aérea Portuguesa.

Desde o início de 2014 até à data, a NATO levou a cabo mais de uma centena de interceções à aviação militar russa, o que triplica o número de registos do ano passado.

Embora a atividade aérea russa sobre a Europa esteja a aumentar desde o ano passado, as manobras verificadas na semana passada têm um carácter inédito, porque é a primeira vez que Moscovo envia grandes formações de aviões de guerra, explicou o general da Força Aérea norte-americana.

Philip Breedlove, que também assume a chefia das forças norte-americanas na Europa, indicou que, no passado, as manobras aéreas russas eram realizadas por pequenos grupos de um ou dois aparelhos.

"O que vimos na semana passada era uma formação maior e mais complexa de aeronaves, avançando um pouco mais. Eu diria uma trajetória de voo um pouco mais provocativa", disse o general norte-americano.

Os voos foram motivo de "preocupação" e "não acrescentam ou contribuem para uma situação segura e estável", afirmou Breedlove.

Sobre as eleições realizadas no domingo nas regiões separatistas no leste da Ucrânia -- Estados Unidos e a União Europeia já consideraram o escrutínio como ilegítimo -, o general norte-americano considerou que ainda é muito cedo para dizer como o ato eleitoral vai afetar a situação de segurança no território ucraniano, referindo, no entanto, que não foi útil para os esforços de resolução do conflito.

Breedlove disse ainda ser favorável ao aumento da presença de forças norte-americanas na Europa de Leste através de destacamentos temporários, em coordenação com as medidas já tomadas para tranquilizar os parceiros da Aliança naquela região.

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