Ranulph Fiennes partiu para "a viagem mais fria"

O aventureiro e explorador britânico Ranulph Fiennes partiu hoje do porto da Cidade do Cabo, como estava previsto, em direção à Antártida, que tentará atravessar de esqui, sem quaisquer apoios e sem possibilidade de ser socorrido.

A expedição partiu a bordo do 'SA Agulhas' em direção à Antártida, onde deverá chegar no final do mês. Ranulph Fiennes e outros cinco elementos do grupo terão então cerca de cinco semanas para se prepararem para a travessia do continente gelado, que irão efetuar ao longo de seis meses e na época mais fria do ano no hemisfério sul.

A travessia estende-se por mais de quatro mil quilómetros e irá suceder entre junho e o início de setembro, decorrendo na maior parte do tempo na obscuridade. A expedição foi baptizada "A Viagem Mais Fria" (The Coldest Journey) e tem igualmente um objetivo humanitário: recolher cerca de oito milhões de euros para uma organização que apoia pessoas cegas.

Para Ranulph Fiennes, de 68 anos, este é um dos últimos grandes desafios polares a vencer. A ter sucesso a expedição, esta será a primeira traversia invernal da Antártida, numa época em que as temperaturas podem atingir os menos 90 graus centígrados, indicam as agências.

Esta não será a primiera vez que Fiennes atravessa o sexto continente. Já o fez em 1992/3, a pé e sem assistência, só que na época de verão.

Considerado pelo Livro Guiness de Recordes como o "maior explorador vivo", Fiennes realiza expedições há mais de 40 anos, mas salienta que numa travessia desta natureza "não há especialistas. Ninguém fez esta travessia no inverno (...). Partimos para o desconhecido", declarou o explorador pouco antes de partir.

Uma vez iniciada a travessia, o grupo não terá qualquer possibilidade de ser socorrido, devido às condições meteorológicas que impedem a realização de voos. "Por isso, levamos connosco provisões para um ano e um médico", disse o explorador.

Para Fiennes, "aquele que sai do veículo e parte de esquis tem de aceitar a ideia de que, se algo correr mal, irá morrer tal como sucedia há cem anos".

A expedição iniciou-se no ano em que se completou um século sobre a viagem de Robert F. Scott ao Polo Sul, em que foi batido pelo norueguês Roald Amundsen. Scott e os seus companheiros de expedição morreram no caminho de regresso.

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