Ramadão: época de maior reflexão sobre revoltas árabes

O período do Ramadão, que hoje começa, vai intensificar a reflexão e discussão sobre as revoltas árabes e os atentados na Noruega, acredita o editor de um jornal da comunidade muçulmana no Reino Unido.

"Muitos muçulmanos, especialmente os jovens cujas expectativas não foram cumpridas, vão reflectir sobre os resultados das revoltas", afirmou Ahmed Versi, editor do Muslim News, à agência Lusa. Em especial, destacou, vão "reflectir nas vidas perdidas" em vários países onde as revoltas ainda continuam, nomeadamente no Bahrein, Líbia e Síria. Outros especialistas admitem que os levantamentos populares aumentem, como é o caso de Abdallah al-Amadi, diretor do site Islamonline. "Na história muçulmana, o Ramadão foi muitas vezes o mês das revoltas e das vitórias", afirmou à agência AFP, prevendo um aumento da contestação nos últimos 10 dias do mês, considerados os mais sagrados.

Durante o Ramadão, os muçulmanos de todo o mundo cumprem o jejum do nascer ao pôr do sol. Esta é uma altura em que os fiéis são incentivados à devoção, à generosidade, à reflexão e ao sacrifício. As próximas semanas serão também uma ocasião para discutir o impacto dos atentados na Noruega, nos quais morreram 76 pessoas. "Amanhã pode acontecer à comunidade islâmica", admitiu Ahmed Versi, referindo-se à alegada islamofobia do autor confesso dos ataques.

O director do jornal britânico considera que "o ódio de extrema-direita é tal que pode acontecer se estes grupos não forem travados pelos governos europeus". O Ramadão, que começa hoje e se conclui a 30 de Agosto, proporciona uma oportunidade para estes assuntos serem discutidos. "Já eram falados mas será intensificado porque as pessoas encontram-se junto às mesquitas e nas casas, ao fim do dia, para quebrar o jejum", justifica.

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