Quem é Josephine Witt, a jovem alemã que atacou Mario Draghi no BCE?

Na quarta-feira, em Frankfurt, saltou para cima da mesa durante a conferência do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, atirando-lhe confetis e papéis.

Trata-se de Josephine Witt, uma jovem alemã de 21 anos, estudante de Filosofia. Já chegou a colaborar com as Femen, tendo participado em abril de 2013, em Hannover, num protesto contra o presidente da Rússia Vladimir Putin. Em maio do mesmo ano foi presa em Tunes, na Tunísia, depois de protestar contra a prisão da ativista Amina Tyler. E em dezembro, também de 2013, entrou na catedral de Colónia, na Alemanha, com a frase "Eu sou deus" escrita no corpo e foi multada.

"A cara assustada de Draghi pareceu-me algo maravilhoso e divertiu-me muito ver a sua reação. Eu sorri porque vi que é possível mudar a narrativa (...) A cara assustada de Mario Draghi é um passo para mudar a narrativa de levar a democracia a instituições como o Banco Central Europeu. Com este ato demonstrei que podemos mudar as coisas", contou Josephine à edição Verne do El País, numa conversa telefónica hoje divulgada no site deste media.

Questionada sobre como entrou na sede do BCE, em Frankfurt, a jovem alemã explicou: "Como toda a gente: simplesmente fiquei na fila à porta e entrei. Para me registar, aí sim, tive que dizer uma pequena mentira: só podiam entrar jornalistas e eu não o sou, mas disse que era da Vice. Veio-me à cabeça esse meio de comunicação porque não é muito conhecido e nele trabalham muitos jovens".

Quando saltou para cima da mesa de Draghi, a meio da conferência de imprensa, Josephine Witt lançou-lhe "confeti" para cima e folhas com as seguintes frases: "somos donos das nossas vidas" e não somos "fichas no jogo de apostas do BCE, para jogar, para vender, para sermos devastados". Vestida tinha uma T-Shirt em que criticava a "ECB dick-tatorship". Ao Verne do El País explicou porque usou "confeti": "Queria que o protesto fosse colorido e pacífico. Os violentos são eles, que lançam granadas de gás lacrimogéneo" aos manifestantes.

Sobre a sua ligação às Femen, grupo em que as ativistas costumam protestar de seios à mostra, com frases de protesto escritas no corpo, a jovem alemã esclareceu que já colaborou com elas mas que agora é "ativista freelance" e trabalha "por conta própria".

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