Quando os espiões da ditadura brasileira andavam por Lisboa

Após o 25 de Abril, regime militar de Brasília decide ativar um sistema de vigilância para seguir exilados políticos em Portugal

O relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV) sobre o período da ditadura no Brasil revela que o regime militar ficou seriamente preocupado com a possibilidade de Portugal, após o 25 de Abril de 1974, ser utilizado pela oposição, tendo decidido ativar uma "base" do Centro de Informações do Exterior (Ciex) em Lisboa para vigiar os movimentos de nacionais brasileiros "ligados à subversão".

O Ciex dependia do Ministério das Relações Exteriores e nunca teve existência formal. Segundo a CNV, funcionou entre 1966 e 1980 e teve por missão vigiar "ações subversivas" de brasileiros no exterior. Além de Lisboa, na Europa Ocidental, teve "bases" em Paris, Genebra e "possivelmente Londres".

A preocupação da ditadura brasileira manifestou-se logo em maio de 1974 e, pouco depois, em agosto, é o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Azeredo da Silveira, em "despacho-telegráfico secreto e exclusivo" para a embaixada de Lisboa a comunicar a decisão de "abrir" a referida "base" do Ciex, com instruções "para preservar o máximo grau de sigilo e segurança operativa no desempenho das tarefas de carácter especial" aos elementos envolvidos.

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