Protesto em São Paulo com cantos de claque de futebol e ofensas a Dilma e Lula da Silva

As principais reivindicações dos manifestantes são o fim da corrupção, a impugnação de mandato de Dilma e a melhoria da situação económica e dos serviços públicos.

O protesto contra o governo de Dilma Rousseff em São Paulo foi dominado por manifestantes de verde e amarelo, que entoavam cantos de claques de futebol, críticas e ofensas à Presidente e ao ex-governante Lula da Silva.

"Eu, sou brasileiro, com muito orgulho, e muito amor", era um dos cantos ouvidos nas concentrações de manifestantes, desde as estações de metro, até dentro dos comboios e na avenida Paulista, na região central da cidade, onde se realizou o protesto.

Um milhão de pessoas participou na manifestação, segundo a Polícia Militar. Além dos cantos de claques de futebol, havia também cornetas e 'vuvuzelas', caras pintadas de verde e amarelo e cantos com críticas e ofensas à Dilma Rousseff e a Lula da Silva, como "Lula, cachaceiro, devolve o meu dinheiro".

As principais reivindicações dos manifestantes são o fim da corrupção, o "impeachment" (impugnação de mandato de Rousseff), e a melhoria da situação económica e dos serviços públicos. O protesto também se colocou contra o socialismo e o comunismo, associando-os aos governos do Partido dos Trabalhadores (PT).

Entre os presentes havia manifestantes de todas as idades, desde crianças até idosos. A família de Silmara Sanches, 46 anos, compareceu com as três gerações, incluindo a filha de 12 anos e o pai de 77.

"As crianças são o futuro do Brasil, a gente vai votar, acabar se elegendo. [Quero que] a corrupção pare", afirmou Sofia, 12 anos, filha de Silmara Sanches.

O empresário Reginaldo dos Santos, 40 anos, também compareceu com a mulher e o filho, de três anos. "Vim por causa da corrupção, da ladroeira, para ver se conseguimos um futuro melhor para os filhos. Primeiro, tem de por os corruptos na cadeia", afirmou o manifestante, que realçou defender a democracia em primeiro lugar.

A manifestação tem uma "agenda" extensa e diversificada devido aos diferentes grupos. Uma minoria defendia mesmo o regresso de um regime militar. "Todo mundo está aqui, tem gente que deseja melhorias, tem gente que não sabe o que deseja, mas quer uma mudança", afirmou o músico Masayuki Carvalho, 40 anos.

O português de Castelo Branco João Tiago Barata Marques, 22 anos, mora em São Paulo há um ano e também foi à manifestação: "Apoio a causa porque é contra a Dilma, ela não pode governar porque governa mal e rouba o povo brasileiro", afirmou.

A manifestação, pacífica, teve apenas um incidente registado, com a detenção de um grupo de 'skinheads'com camisolas do grupo "Carecas do Subúrbio", suspeitos de transportarem explosivos. A manifestação de hoje, convocada pelas redes sociais, foi precedida na última sexta-feira por uma manifestação contra o aumento de impostos, mas favorável a Rousseff e ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Na manifestação em São Paulo, Estado que é a principal base de apoio do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e de oposição ao PT, as pessoas que demonstravam de longe apoio ao governo, com bandeiras vermelhas nas janelas de apartamentos, foram hostilizadas pela multidão, que lhes gritava ofensas.

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