Príncipe Carlos pede mais ambiente e menos capitalismo

O herdeiro da coroa britânica discursou ontem em Londres na "Conference on Inclusive Capitalism". Num discurso centrado nas alterações climáticas e na urgência de uma consciência ambiental global, o príncipe Carlos defendeu a necessidade de uma "transformação fundamental do capitalismo" para evitar "a nossa própria destruição"

Carlos discursou em Londres numa conferência sobre "Capitalismo Inclusivo" ("Conference on Inclusive Capitalism: Building Value, Renewing Trust"), que contou também com a presença de personalidades como o ex-Presidente Bill Clinton, a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, ou o editor do Financial Times, Lionel Barber. Na assistência estavam cerca de duzentas figuras proeminentes do setor económico e financeiro multinacional.

"Temos de transformar o capitalismo para salvar o planeta" por forma a "interromper a aceleração perigosa das alterações climática que nos levarão à nossa própria destruição", afirmou o princípe Carlos. Descrito pelo jornal espanhol El Mundo como "cada vez mais propenso a pronunciamentos de alto calibre político", o herdeiro da coroa britânica acrescentou: "Recordo que quando caiu a Cortina de Ferro festejou-se com gritos o triunfo do capitalismo sobre o comunismo, já então eu pensava que não era tão simples quanto isso. Tinha a impressão de que, a menos que o mundo dos negócios considerasse as dimensões sociais, comunitárias e ambientais das suas ações, acabaríamos por fechar o círculo".

O príncipe Carlos, que em 1990 lançou a marca de produtos biológicos "Duchy Originals", chamou ainda a atenção para o encontro mundial acerca das alterações climáticas, "Paris Clima 2015", agendado para 2015 em Paris. O encontro será a vigésima primeira edição da Conferência das Partes, que se reúne desde a implementação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC) em 1992. "Ou continuamos pelo caminho que parecemos estar determinados a seguir coletivamente, à mercê dos que negam agressivamente que o atual modelo tem um efeito perigoso e está a acelerar as mudanças climáticas (um caminho que eu penso que nos levará à destruição); ou actuamos agora, antes que seja demasiado tarde, usando o poder e a influência que cada um pode ter para criar uma sociedade inclusiva, sustentável e resiliente", defendeu Carlos.

O orador dirigiu-se diretamente ao sector dos negócios e apelou aos objetivos de uma visão a longo-prazo, apelando a "um compromisso moral autêntico para agir como verdadeiros guardiões da Terra e arquitetos do bem-estar das gerações atuais e futuras". A essa visão a longo-prazo, o príncipe contrapôs a impopularidade que os negócios tornados "verdes" obterão por parte dos seus pares, que vêem meramente a curto-prazo. Deixou, então, como diretiva aos negócios a atenção "às emissões de dióxido de carbono, ao uso de água e fertilizantes, a poluição que produzimos e a biodiversidade que perdemos".

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