Paquistanesa grávida espancada até à morte por familiares

A jovem paquistanesa Farzana Parveen, que se encontrava grávida, foi ontem espancada por cerca de trinta membros da sua família por casar "por amor", rejeitando o casamento forçado ainda comum no Paquistão. Segundo a Comissão Nacional dos Direitos Humanos, em 2013, mil mulheres foram mortas no Paquistão em "crimes de honra".

Farzana Parveen, uma paquistanesa de 25 anos, grávida, foi morta ontem por cerca de trinta membros da sua família. O assassinato, através de espancamento com tijolos, teve como motivo o casamento "por amor" de Farzana, num país onde os casamentos forçados ainda são costume. A jovem foi morta à entrada do tribunal de Lahore, no este do Paquistão, onde testemunhava contra a sua família, que acusava o seu marido de a ter raptado. O marido, Mohammad Iqbal, a partir da sua cidade-natal, Jaranwala, onde Parveen será enterrada, dizia hoje à AFP: "Temos sido alvo de ameaças desde que nos casámos". Iqbal declarou ainda à agência que, entre os membros da família que espancaram a jovem grávida até à morte se encontravam "o seu pai, irmãos e primos", pelo que "todas as pessoas presentes são conhecidas" e "não há razão para que os agressores não enfrentem a justiça". "Justiça tem de ser feita", lançava por fim Iqbal.

Apesar de a lei paquistanesa proibir casamentos forçados e "crimes de honra" desde 2000, segundo a Comissão Nacional dos Direitos Humanos, no ano passado mil mulheres ou adolescentes foram mortas no Paquistão, por "desonrarem" as suas famílias. A Comissão denuncia a "impunidade" dos autores dos crimes que pouca são noticiados pela imprensa local. "As pessoas têm medo de falar porque têm medo de ser acusadas de blasfémia ou intenções contrárias ao Islão", disse à AFP a militante feminista Samina Rehman.

Outra militante,Tahira Abdullah, declarou que na hora da morte de Farzana Parveen "a polícia do tribunal estava misteriosamente ausente do local do crime, foi incapaz de tomar medidas preventivas, de proteger [a vítima] e isto apesar dos precedentes em casos de assassinatos por desonra". "Resvalamos irremediavelmente para um extremismo e para interpretações não islâmicas de um 'Islão talibanizado'", acrescentou Abdullah.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG