Papa Francisco pede mudança de hábitos para salvar o planeta

Vaticano divulgou encíclica histórica sobre a responsabilidade humana nas alterações climáticas e na pobreza.

Poluição, resíduos, alterações climáticas, escassez de água e perda de biodiversidade foram alguns dos temas abordados pelo Papa Francisco na encíclica "Laudato si - Sobre o cuidado da casa comum", publicada ontem. Com base em argumentos científicos, o líder católico lança um alerta para as questões ambientais e faz um apelo à mudança de estilos de vida, estabelecendo uma "relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta".

Francisco lembra que as questões ambientais já tinham sido abordadas por João Paulo II e Bento XVI. Contudo, pela primeira vez, há uma encíclica inteiramente dedicada ao tema. "A exposição aos poluentes atmosféricos produz uma vasta gama de efeitos sobre a saúde, particularmente dos mais pobres, e provocam milhões de mortes prematuras", destaca. A tecnologia, diz o líder, "que, ligada à finança, pretende ser a única solução dos problemas, é incapaz de ver o mistério das múltiplas relações que existem entre as coisas e, por isso, às vezes resolve um problema criando outros". A terra, escreve Francisco, "parece transformar-se cada vez mais num imenso depósito de lixo".

Destacando que a maior parte do aquecimento global se deve à atividade humana, o Papa Francisco fala da responsabilidade de todos: "A humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de mudanças de estilos de vida, de produção e de consumo, para combater este aquecimento ou, pelo menos, as causas humanas que o produzem ou acentuam." E "muitos daqueles que detêm mais recursos e poder económico ou político parecem concentrar-se sobretudo em mascarar os problemas ou ocultar os seus sintomas, procurando apenas reduzir alguns impactos negativos de mudanças climáticas".

O texto desenvolve ainda outros assuntos como o esgotamento de recursos naturais como a água, a perda de biodiversidade ou a deterioração da qualidade de vida humana e degradação social. Para João Branco, presidente da Quercus, "esta encíclica é muito importante para o movimento ambientalista e conservacionista". É pioneira, destaca, "mas Bento XVI já tinha assumido uma postura conservacionista que não foi posta em prática pela Igreja". Por isso, o ambientalista afirma que o texto "mostra que a Igreja tem o seu discurso adaptado à realidade", mas espera "que não seja apenas retórica e que os cristãos integrem na prática as indicações dos seus líderes".

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