Papa contra procriação "como coelhos" abre a porta aos contracetivos

Francisco apelou à "parentalidade responsável" e ao uso de "soluções legais" para controlar número de filhos. Religiosos portugueses lembram que Igreja não proíbe contraceção.

A família voltou a ser o tema dominante da conferência de imprensa do Papa na viagem de regresso da visita às Filipinas. Depois de uma viagem em que contactou com crianças abandonadas e famílias numerosas que vivem na miséria, Francisco lembrou que os católicos têm de exercer uma "paternidade responsável" e que não devem procriar "como coelhos". Ao referir que existem "métodos legais" que ajudam os pais a controlar o número de filhos, abriu também a discussão sobre a posição da Igreja em relação ao uso de contracetivos.

Em Portugal, os teólogos e religiosos contactados pelo DN acreditam que está aberta a porta para que o sínodo da família - marcado para outubro -, deixe uma posição clara. "É essa a intenção do Papa que mesmo depois de votações contra [como o caso da comunhão dos recasados ou o acolhimento dos casais homossexuais], volta à carga com estes temas. Agora resta saber se a nomenclatura vai aprovar", aponta frei Fernando Ventura.

Mas mesmo que o sínodo não mostre abertura para esclarecer uma mensagem que "a Igreja nunca soube fazer passar", a verdade é que os métodos contracetivos não são totalmente proibidos. "O uso de contracetivos tem de ser visto caso a caso e com orientação médica. Até há situações em que o seu uso não tem nada a ver com a procriação, mas com condições clínicas da mulher ou do homem. Além disso, a Igreja é a favor dos métodos naturais", aponta o padre Feytor Pinto, que durante 25 anos este ligado à pastoral da Saúde.

Já para o teólogo Anselmo Borges, Francisco "abriu a porta" à discussão no sínodo dos métodos contracetivos. Embora considere que o Papa se afastou do tema na conferência de imprensa, para "pôr a tónica na responsabilidade dos pais". "Pondo o acento na responsabilidade dos pais ele deixa isso [a contraceção] entregue à responsabilidade deles".

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