Papa apela para que o Mediterrâneo não se torne num "cemitério" de migrantes

O Papa Francisco abordou no seu discurso no Parlamento Europeu temas como a imigração ou o trabalho.

"Não podemos tolerar que o mar Mediterâneo se torne num grande cemitério", defendeu Francisco, apelando a "legislação adequada" para "proteger os direitos dos cidadãos europeus e garantir a acolhida dos migrantes". E lembrou que é necessário agir "sobre as causas" da imigração ilegal "e não apenas sobre os efeitos".

"A Europa será capaz de fazer face às problemáticas ligadas à imigração (...) se souber adotar políticas justas, corajosas e concretas que ajudem os países de origem [dos imigrantes] no desenvolvimento sociopolítico e na resolução dos seus conflitos internos em vez de políticas interesseiras que aumentam e alimentam esses conflitos", disse diante dos eurodeputados, sendo aplaudido em vários pontos do seu discurso.

Em relação ao tema do trabalho, Francisco defendeu ser "tempo de favorecer as políticas de emprego", lembrando contudo que "é sobretudo necessário voltar a dar dignidade ao trabalho, garantindo as condições adequadas para a sua realização".

É preciso, acrescentou, "pensar em novas formas de conjugar a flexibilidade do mercado com as necessidades de estabilidade e certeza das perspectivas de emprego, indispensáveis para o desenvolvimento humano dos trabalhadores."

Lembrando a viagem do papa João Paulo II, há 26 anos, disse que "muita coisa mudou na Europa e no mundo inteiro" desde então. "Já não existem os blocos contrapostos que então dividiam o Continente em dois", referiu, mas alertou que a par de uma "União Europeia mais ampla" há um mundo "mais complexo e em intensa movimentação". E que a imagem de hoje da Europa é "um pouco envelhecida e empachada, que tende a sentir-se menos protagonista num contexto que frequentemente a olha com indiferença, desconfiança e, por vezes, com suspeita".

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