OMS avisa que falta de verbas põe em risco esforços para acabar com o ébola

Foram recolhidos 520 milhões de euros, mas são necessários 1,3 milhões.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a ONU avisaram hoje que a falta de verbas põe em risco os esforços para acabar com a epidemia de Ébola em África, onde o número casos passou da descida para a estabilização.

Segundo as Nações Unidas, foram recolhidos até ao momento 600 milhões de dólares (mais de 520 milhões de euros), quando as necessidades estimadas são de 1,5 mil milhões de dólares (cerca de 1,3 mil milhões de euros).

"Um dos maiores riscos que enfrentamos é que os novos fundos para resposta estão a cair mais depressa do que o número de novos casos" [na África ocidental], explicou, em conferência de imprensa, o diretor-geral adjunto da Organização Mundial da Saúde, Bruce Aylward.

O mesmo responsável lamentou que, depois de "um dos maiores êxitos em saúde pública" na primeira fase de resposta, a comunidade internacional tenha caído "numa certa condescendência".

Segundo o perito, enquanto nas primeiras três ou quatro semanas do ano a queda de novas infeções era "encorajadora", nas últimas quatro semanas "a história é diferente", pois o número de novos casos deixou de reduzir e estabilizou nos 120 a 150 por semana.

"Isto não é o que queremos em relação ao Ébola", disse Bruce Aylward, recordando que o vírs é "extremamente perigoso" e afeta uma área vasta de território na Serra Leoa, Libéria e Guiné Conacri.

Assim, considerou "extremamente difícil" cumprir a meta estabelecida por aqueles três países de, dentro de dois meses, não ter casos de novos contágios.

De acordo com os dados mais recentes da OMS, mais de 23.000 pessoas foram infetadas com o vírus do Ébola e mais de 9.400 morreram nesta epidemia, que começou em dezembro de 2013 na África ocidental, a mais grave desde que o vírus foi identificado na África central em 1976.

Na semana passada, foram registados 74 novos casos na Serra Leoa, 45 dos quais na capital Freetown, e 52 na Guiné-Conacri.

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