Omar El-Hussein era um bom tipo, mas fez uma escolha errada

Jovens da zona onde vivia o suspeito dos ataques de sábado em Copenhaga recusam vê-lo como um terrorista.

Em Mjolnerparken, onde vivia Omar El-Hussein, os jovens recusam ver o presumível autor dos ataques de Copenhaga como um terrorista, mas como um "bom tipo".

"Ele só fez uma má escolha, eu não o vejo como um terrorista", afirmou um jovem, camuflado num grande casaco, tal como os seus amigos.

Reunidos em frente dos pequenos blocos de apartamentos de habitação social que compõem Mjolnerparken, aqueles jovens discutem Omar El-Hussein. Sem nomes nem fotografias, não querem ser identificados.

O jovem dinamarquês de origem palestiniana, de 22 anos, é suspeito de ser o autor dos ataques de sábado em Copenhaga, que provocaram dois mortos e cinco feridos.

Omar El-Hussein acabou abatido pela polícia a poucos metros do bairro onde morava.

Mjolnerparken, conhecido pela sua alta taxa de criminalidade num país bastante tranquilo, é um conjunto de casas de tijolos escuros e quatro andares onde vivem duas mil pessoas, 86 por cento das quais de origem estrangeira.

"É verdade que há delinquentes, mas não é centro do crime", reconheceu um outro jovem, proveniente da Somália.

Questionado sobre Omar El-Hussein, fala dele como um rapaz sociável, que "tinha muitos amigos".

"Eu tratava-o por meu amigo. Era um bom tipo", disse, salientando que não o viam desde que saiu da prisão em finais de janeiro, e que os aconteceimentos surpreenderam a todos: "Ninguém consegue explicar".

Mas, recusam comparações com o que se passou em França.

"Em França, eles tinham um plano. Ele agiu impulsivamente. Eu não sei o que aconteceu para ele perder a cabeça, mas sei que ele não tinha um plano", afirmou um dos jovens.

Quando anoiteceu, os quatro jovens retiram as flores colocadas junto ao edifício onde Omar morreu, escondendo-as num canto escuro.

"Eramos seus irmãos, seus amigos, nós somos de Mjolnerparken", explicou um outro jovem, sem se distanciar das ações de Omar.

"Era um bom homem. Ele não era um terrorista. Os terroristas são a Dinamarca, os Estados Unidos, Israel", disse, continuando a retirar as flores.

É que, explicaram, as flores não são conforme as práticas do Islão.

"No Islão, damos flores nos casamentos, não aos mortos", acrescentou.

Antes de se irem embora, deixaram no local duas folhas de papel escritas em dinamarquês e árabe: "Que Alá tenha piedade de ti. Repousa em paz".

"Isto é muito triste. Isto poderia ter sido evitado, se eles não tivessem desenhado o profeta", disse Ali, um estudante de 21 anos.

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