Obama junta o clima ao seu legado. Mas não se livra de duras críticas

Presidente dos EUA quer reduzir em 32% as emissões de gases poluentes até 2030 em relação aos dados de 2005. Sector do carvão e republicanos prometem bloqueio no Congresso e tribunais.

Uma vez que "este é o momento certo para deixarmos um mundo melhor para os nossos filhos", Barack Obama decidiu agir. O presidente dos EUA anunciou ontem um plano para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 32% nos próximos 15 anos, em relação aos níveis de 2005. Para isso vai promover a redução das centrais elétricas a carvão, favorecendo as energias renováveis, como a eólica e a solar. Mas se com este plano Obama - que deixa a Casa Branca em janeiro de 2017 - pretende juntar o Clima ao Obamacare ou à aproximação a Cuba no seu legado como presidente, a verdade é que para aplicar as propostas tem pela frente uma longa batalha, tanto com o sector do carvão como com a oposição republicana.

À frente do segundo maior poluidor mundial (atrás da China), Obama lembrou ontem na Casa Branca que "só temos uma casa. Só temos um planeta. Não há plano B". Diante de uma plateia cujos aplausos o interromperam várias vezes, o presidente admitiu: "Vai haver críticas, vai haver cínicos que vão dizer que não pode ser feito". Mas Obama considerou essa críticas como "desculpas para a inação".

A verdade é que ainda Obama não apresentara o plano já as reações choviam. Vários governadores, sobretudo republicanos, ameaçaram não aplicar os cortes nas emissões. Com as centrais movidas a carvão a produzir 39% da energia nos EUA, o sector promete recorrer aos tribunais para travar as propostas. Além de tentarem o bloqueio no Congresso, onde os republicanos têm maioria nas duas câmaras. O seu argumento? Estas medidas não vão só prejudicar a indústria do carvão, vão aumentar a conta da eletricidade dos americanos. E a associação da energia rural garante que os mais prejudicados pelo que diz ser um aumento "de 10%" nos preços, serão "os mais vulneráveis". Obama rejeitou estas acusações, garantindo que o seu plano "vai poupar aos americanos em média 85 dólares por ano na fatura da energia". A Casa Branca prevê ainda benefícios para os estados que apostem nas renováveis antes do fim do prazo de implementação, em 2022.

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