Obama diz que reformas realizadas na Birmânia estão a regredir

O Presidente dos Estados Unidos afirmou que as reformas democráticas realizadas na Birmânia estão a regredir, em entrevista concedida antes de uma cimeira regional destinada a projetar a imagem de transição do país anteriormente isolado pelos militares.

Barack Obama reúne-se hoje com o seu homólogo Thein Sein - antigo general - à margem da Cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), na capital da Birmânia, Naypyidaw, assim como com outros líderes da região.

As declarações de Obama surgem numa entrevista ao portal de notícias birmanês The Irrawaddy, publicadas antes da sua chegada ao país, na noite de quarta-feira.

"O progresso não chegou de forma tão rápida como muitos esperávamos quando a transição começou há quatro anos. Em algumas áreas, houve um abrandamento nas reformas e foram registados alguns passos para trás", afirmou.

"Além das restrições à liberdade de imprensa, continuamos a ver violações dos direitos humanos e abusos contra minorias étnicas, incluindo execuções extrajudiciais, violações e trabalhos forçados", acrescentou o Presidente norte-americano.

Obama vai realizar na sexta-feira uma demonstração de apoio à líder da oposição e Prémio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, num encontro que deverá ocorrer na zona comercial de Rangun.

A própria Suu Kyi antecipou-se a Obama, ao advertir contra o "otimismo exagerado" quanto à democracia na Birmânia, numa altura em que se aproximam as eleições gerais no país, no próximo ano.

Ao falar do processo de reformas na Birmânia, iniciadas em 2011 quando Thein Sein tomou a liderança do Governo composto por civis, como um exemplo dos efeitos positivos do envolvimento de Washington.

A Birmânia viu então serem-lhe retiradas muitas das sanções de que era alvo pelo ocidente, à medida que foi libertando a maioria dos seus presos políticos e flexibilizou a apertada censura à imprensa, aumentando o interesse dos investidores no país.

Num esforço para encorajar as reformas, Obama tornou-se o primeiro Presidente norte-americano a visitar a Birmânia em 2012, altura em que também se encontrou com Suu Kyi em Rangum.

No entanto, o país, que esteve sob o controlo militar durante quase metade de um século, tem enfrentado frequentes acusações de que a sua ambiciosa transição está a vacilar.

Ativistas denunciaram perseguições de opositores e jornalistas, e um repórter foi morto pelos militares no mês passado numa zona volátil na fronteira.

A comunidade internacional está ainda preocupada com a violência sectária registada nos últimos dois anos, entre a maioria budista e a minoria muçulmana rohingya, no estado de Rakhine.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, invocou na quarta-feira a "grave questão humanitária" dos rohingya na Birmânia, ao advertir para as condições de vida vulneráveis daquela comunidade.

Entretanto, Suu Kyi, filha do herói da independência Aung San, está a fazer campanha por alterações à Constituição, que atualmente a proíbe de se candidatar à presidência, mesmo se o seu partido for bem-sucedido nas eleições.

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