O oftalmologista a quem o pai ofereceu um país

O irmão morreu e Bachar foi obrigado a trocar a medicina por uma carreira política. Prometeu liberdade aos sírios, mas fracassou.

Há três datas decisivas para perceber Bachar al-Assad: 1994, quando o irmão Basil morre num acidente de carro, 2000, quando sucede ao pai como presidente da Síria, 2011, quando os sonhos de evolução controlada do regime são destruídos por uma revolta popular que num ápice se transforma em guerra civil. E assim se chega a 2015 e aquele que poderia ser um prestigiado oftalmologista, com consultório em Damasco ou até Londres, é para boa parte do mundo um cruel ditador .

Nascido em 1965, Bachar pertence à minoria alauita, um ramo do xiismo que muitos teólogos do islão hesitam em considerar correligionários. Alto e esguio, de olhos azuis, corresponde ao tipo físico habitual na comunidade, que as lendas do Médio Oriente dizem ter sangue desses cruzados que há mil anos andaram pela Síria e que construíram fortins como o Krak des Chevaliers.

Bachar era ainda criança quando o seu pai, Hafez, militar, se tornou o homem forte da Síria em 1971. Mas como todas as atenções da família se centravam no irmão mais velho, educado como herdeiro político, o futuro médico teve uma adolescência pacata, mesmo que militasse na juventude do Partido Baas, e não surpreendeu ninguém que após a Universidade de Damasco prosseguisse a formação na Grã-Bretanha.

Estava em 1994 em Londres, onde conheceu a mulher, Asma, quando foi chamado de urgência. Basil tinha morrido, mas Bachar não vinha apenas para o funeral. Depressa entrou na academia militar, em 1999 era já coronel, e no ano seguinte, quando o pai morreu, tudo estava preparado. Um referendo em julho de 2000 limitou-se a confirmar o novo presidente, feito marechal, com 97% de votos favoráveis. As promessas de liberdade ganhavam credibilidade pelo ar moderno do casal presidencial, com a bela Asma, nascida em 1975 em Londres, filha de um cardiologista sírio, a tornar-se um trunfo.

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