"O grande problema do PSOE é ter o Podemos no seu encalço"

Crítico do Syriza e do Podemos, o partido no poder na Grécia e a formação que se afirma em Espanha, Miguel Ángel Belloso garante que gregos não têm escolha porque só a UE lhes pode emprestar o dinheiro que precisam e que a austeridade em Espanha, Portugal e Irlanda está a dar frutos

Nos seus artigos tem sido muito crítico do Syriza...

Sim, claro, é o pior que podia ter acontecido à Grécia. Todo o ajustamento feito na Grécia estava agora a começar a dar frutos. E agora vem um partido radical, com um programa que não vai promover o crescimento económico. Um programa que defende subir o salário mínimo [para 751 euros] é uma selvajaria. Isso que as pessoas de esquerda pensam que é uma maravilha, o que faz, na realidade, é impedir que algumas pessoas entrem no mercado de trabalho, porque os empregadores não vão contratar pessoas a esse preço. Paralisar as privatizações em setores estratégicos é outra das coisas que também vão ser negativas. Dar água e luz grátis a todos as pessoas excluídas, por princípio, tem os seus perigos. É preciso ajudar quem tem muitas necessidades. Mas há que fazê-lo com cuidado.

O governo grego diz que não quer mais dinheiro, mas mais tempo, para fazer face, nomeadamente, ao problema da dívida.

O problema é o seguinte: a Grécia precisa de 15 mil milhões de euros dentro de seis meses, para pagar salários, pensionistas, manter a máquina do Estado. E os únicos que lhe podem emprestar esse dinheiro, somos nós, a União Europeia. Mas se vamos emprestar, renegociar o programa de resgate tem que ser com condições. Não se pode aceitar dar o dinheiro à Grécia, enquanto realiza uma série de políticas contrárias ao crescimento. Terão que ceder porque precisam de dinheiro de forma imperiosa e não vão consegui-lo nos mercados. No programa que tinha a Grécia a dívida vencia a 30 anos, a parte pela qual pagava juros era proporcionalmente pequena, o que acontece é que é um programa exigente, como aconteceu com Portugal ou com a Irlanda, quando a troika interveio. Ou como aconteceu em Espanha, quando se pediu 40 mil milhões para salvar os bancos.

Acha que Portugal e Espanha estão agora melhor?

Claro. Espanha, a par da Alemanha, é dos países que mais cresceu no último trimestre de 2014. Em Portugal, segundo o FMI, prevê-se um crescimento de 1,5% este ano.

Esse crescimento, impulsionado pela Alemanha, dá mais argumentos políticos à chanceler alemã Angela Merkel e ao seu ministro das Finanças Wolfgang Schäuble?

O que dizem Merkel e Schäuble é que em Portugal, na Irlanda e em Espanha as coisas funcionaram. Ou seja, transferiu-se dinheiro em troca de reformas estruturais que foram importantes e estão a começar a dar frutos.

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