Número de mortos em inundações na Geórgia sobe para 12

Cinco horas de chuvas torrenciais deixaram balanço trágico na capital do país. Animais que escaparam do jardim zoológico estão a ser controlados com dardos tranquilizantes.

Pelo menos 12 pessoas morreram e várias outras estão dadas como desaparecidas na sequência das inundações que estão a afetar Tbilissi, capital da Geórgia, segundo um novo balanço das autoridades locais, hoje divulgado.

As inundações destruíram parte do jardim zoológico daquela cidade e muitos animais, como leões, tigres e hipopótamos, escaparam do recinto e estão à solta nas ruas da capital georgiana.

Segundo o balanço provisório das autoridades, as cinco horas de chuvas torrenciais deixaram um trágico balanço na capital georgiana.

As inundações provocaram pelo menos 12 mortos, incluindo elementos de equipas de socorro, bem como 24 desaparecidos e 36 feridos.

"A situação é complexa. Tbilissi não conheceu uma catástrofe natural destas dimensões", afirmou o primeiro-ministro georgiano, Irakli Garibashvili.

As autoridades georgianas pediram aos habitantes de Tbilissi para permaneceram nas respetivas casas, enquanto várias equipas procuram e tentam capturar os animais selvagens que vagueiam nas ruas da capital.

"Cerca de 20 lobos, oito leões, tigres brancos, cães selvagens e jaguares foram abatidos por forças especiais ou estão dados como desaparecidos. Apenas três dos nossos 17 pinguins foram resgatados", lamentou a porta-voz do jardim zoológico de Tbilissi, Mzia Charachidze.

"Os corpos de três pessoas foram encontrados dentro das instalações do jardim zoológico. Dois deles são funcionários", precisou a mesma representante, acrescentando que grande parte do recinto do jardim zoológico está destruída.

Imagens transmitidas pelo canal de televisão Rustavi 2 mostraram um hipopótamo nas ruas inundadas do centro de Tbilissi, enquanto elementos das equipas de emergência tentam capturar o animal com dardos tranquilizadores.

Outras imagens divulgadas nas redes sociais mostraram um crocodilo preso entre carros num parque de estacionamento ou um urso em cima da estrutura do ar condicionado de um prédio.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...