Nomes de milionários com contas em offshore revelados

O tesoureiro da campanha eleitoral de François Hollande e a espanhola Carmen Thyssen estão entre os nomes de milionários com contas em paraísos fiscais, revelados por um consórcio mundial de jornalistas de investigação.

François Hollande é o primeiro chefe de Estado a levar com os estilhaços do trabalho que está a ser levado a cabo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (CIJI) que reúne 86 repórteres de 46 países, e do qual o jornal "Le Monde" faz parte. O diário noticia hoje que Jean-Jacques Augier, amigo de Hollande há 30 anos, vulto da edição em França e tesoureiro do presidente francês na campanha eleitoral de 2012, tem duas contas nas ilhas Caimão, através de uma holding financeira denominada Eurane. "Em pleno escândalo Cahuzac [o ministro do Orçamento está suspeito de fraude fiscal] , a revelação cai ainda pior", escreve o matutino. Augier nega qualquer conta bancária ou interesse económico nas lhas caribenhas.

Em Espanha é o nome da viúva do barão von Thyssen-Bornemisza, milionário e dono de uma coleção de arte que deu origem ao museu com o mesmo nome, em Madrid, que aparece ligada ao Offshore Leaks, como é conhecido este caso. Carmen Thyssen-Bornemisza usa, segundo a investigação, contas nas ilhas Cook par comprar obras de arte em leilões da Christie's e da Sotheby's.

O grupo de investigação trabalha com o jornal francês "Le Monde", os britânicos BBC e "The Guardian" e o americano "Washington Post", e trabalha há 15 meses, diz o espanhol ABC, teve acesso 2,5 milhões de arquivos digitais, sobretudo nas ilhas Cook, as Ilhas Virgens britânicas e outros paraísos em mar alto. Ao todo, estão sob a mira dos jornalistas 120 mil empresas e 130 mil pessoas, entre elas miltimilionários do Leste e da Indonésia, empresários russos, médicos norte-americanos e traficantes de armas. Além do tesoureiro de Hollande e de Carmen Thyssen também aparecem o presidente do Azerbaijão, Ilham Alíyev e milionários com ligações ao ditador indonédio Suharto.

De acordo com o site da organização, que promete revelar até 15 de abril mais nomes, os documentos analisados, uma quantidade 160 vezes maior do que a fuga de documentos que deu origem ao Wikileaks, mostram "como o segredo financeiro extraterritorial se estendeu a todo o mundo, permitindo aos ricos e bem relacionados, fugir aos impostos e alimentar a corrupção e os problemas económicos dos países ricos e pobres".

Hoje, cerca das 11.15, o site do consórcio começou a ter problemas tornando impossível o acesso a mais detalhes sobre a investigação que estão a levar a cabo.

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