Netanyahu: "A batalha contra o Estado Islâmico não torna o Irão amigo dos Estados Unidos"

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, discursou esta tarde no Congresso dos EUA, a convite do presidente da câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, à revelia do presidente norte-americano Barack Obama.

Nem Obama nem o seu vice-presidente, Joe Biden, assistiram ao discurso do líder israelita, que é dado como favorito para as eleições legislativas de dia 17 em Israel. Além das duas mais altas figuras da Administração dos Estados Unidos, mais de meia centena de congressistas democratas, senadores e membros da câmara dos Representantes, boicotaram o discurso de Netanyahu no edifício do Capitólio em Washington.

Aplaudido à chegada, Netanyahu começou por lamentar a polémica à volta do seu discurso, dizendo que nunca foi sua intenção causá-la e que Israel e EUA têm um destino comum. "Agradecemos tudo o que o presidente [Barack] Obama fez por Israel", disse, enumerando as várias ocasiões em que o chefe do Estado norte-americano tomou decisões para ajudar o seu país. "Muito do que o presidente fez por Israel nunca será conhecido porque está relacionado com questões sensíveis. Mas eu sei-o. E agradeço ao presidente Obama por esse apoio". O líder israelita agradeceu igualmente ao Congresso norte-americano pela assistência militar a Israel, como por exemplo no caso da chamada Cúpula de Ferro, o sistema de defesa antimíssil israelita.

Após os agradecimentos passou à questão do programa nuclear do Irão, à qual dedicou praticamente todo o seu discurso de quase uma hora. "O Supremo Líder do Irão, Ayatollah Khamenei tweeta que Israel deve ser destruído", garantiu, afirmando que o problema iraniano não é só um problema dos judeus tal como os nazis também não o foram. E sublinhou os conflitos em que diz haver interferência do regime iraniano, lembrando ataques a americanos na embaixada em Teerão, ataques no Líbano, no Afeganistão, na Argentina, nos EUA e em África.

"No Médio Oriente, o Irão controla quatro capitais, Bagdad, Damasco, Beirute e Sanaa. Temos de nos juntar para travar o avanço de terror e subjugação do Irão", apelou, referindo-se às cidades que servem de capital ao Iraque, Síria, Líbano, Iémen.

"Este regime será sempre um inimigo da América. A batalha contra o Estado Islâmico não torna o Irão amigo dos Estados Unidos. Eles querem um império islâmico, apenas discordam sobre quem o vai liderar, se é uma República Islâmica [do Irão] ou um Estado Islâmico", avisou Netanyahu, numa altura em que se aproxima o prazo limite - dia 31 - para um acordo entre o regime de Teerão e as grandes potências internacionais como os EUA sobre o seu programa nuclear.

"No que toca ao Estado Islâmico. O inimigo do teu inimigo teu inimigo é. A diferença é que o Estado Islâmico usa facas e o Irão pode usar mísseis intercontinentais. Deixar o Irão ter armas nucleares seria ganhar a batalha, mas perder a guerra, não podemos deixar que isso aconteça", afirmou o primeiro-ministro israelita, segundo o qual, qualquer acordo com Teerão implicará concessões. "O Irão brinca ao gato e ao rato com os inspetores nucleares", avisou, enumerando os perigos de deixar os iranianos levarem adiante o seu programa nuclear.

"O maior patrocinador do terrorismo internacional pode estar a apenas semanas de ter urânio enriquecido e fabricar combustível para um arsenal nuclear", alertou Netanyahu, garantindo que um acordo com Teerão facilitará o caminho do Irão para a bomba - dizendo não acreditar que o regime iraniano, no poder há mais de 30 anos, queira agora finalmente mudar. "Um acordo com o Irão será o mesmo que dizer adeus aos programas de controlo de armas".

"Parem de apoiar o terrorismo por todo o mundo, parem de ameaçar o meu país, o único e legítimo Estado judeu", pediu ao Irão, dizendo que a República Islâmica deve mudar o seu comportamento e que essa mudança deve ser exigida antes de se pôr em prática qualquer acordo. "Se o Irão quer ser tratado como um país normal então que aja como um país normal", disse, considerando discutível que se afirme que não há alternativa a este acordo que se está a negociar com o Irão.

"É preciso manter a pressão, sobre um regime vulnerável, sobretudo com a queda do preço do petróleo. E se o Irão ameaçar abandonar as negociações, o que eles fazem frequentemente, isso será um bluff. É preciso manter a pressão. Dizem-nos há anos que este acordo é melhor do que nenhum. Eu digo que este é um mau acordo e que estamos melhor sem ele. Agora dizem-nos que a alternativa a este acordo é a guerra. Isso não é verdade. A alternativa é um acordo melhor. Um acordo que não deixe o Irão com um caminho tão fácil para a bomba [nuclear]. Nenhum outro país tem tanto interesse como Israel num bom acordo".

Assim, estabeleceu Benjamin Netanyahu no Capitólio, há dois caminhos: um é o do mau acordo, que armará o Irão, levando inevitavelmente a uma guerra, o outro é o do bom acordo, sem um Irão armado, com um caminho mais difícil, mas melhor para um futuro de paz no Médio Oriente. "Fazer frente ao Irão não é fácil pois nunca é fácil fazer frente a regimes obscuros e assassinos", disse, apresentando aos congressistas Elie Wiesel, sobrevivente do Holocausto, na audiência. "Wiesel, o teu exemplo inspira-nos para dizer que as lições da História foram aprendidas, para dizer: 'Nunca mais'", afirmou, garantindo: "Nós, o povo judeu, somos capazes de nos defender. Israel ficará de cabeça erguida. Mas não sozinho. Sei que a América, vocês, ficarão ao nosso lado".

Aplaudido de pé, o chefe do governo israelita, do partido político conservador Likud, terminou o seu discurso dizendo: "Deus abençoe o Estado de Israel, Deus abençoe os Estados Unidos da América".

LEIA AQUI O DISCURSO DE NETANYAHU NA ÍNTEGRA EM INGLÊS:

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