Ministro das Finanças alemão propõe referendo na Grécia

Wolfgang Schäuble admitiu que, perante o impasse nas negociações com a Grécia, o governo de AlexisTsipras poderá ter de sujeitar a forma de pagamento da dívida ao aval do povo grego.

O ministros das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, disse esta segunda-feira que poderá ser útil para o governo grego fazer um referendo sobre o acordo com os credores para o pagamento da dívida, que lhe permitiria continuar na zona euro.

Segundo a agência Reuters, Schäuble admitiu que não houve progresso nas negociações com a Grécia, excluindo "o clima, que melhorou", ironizou. E explicou que cabe a Atenas implementar um programa com o acordo dos parceiros europeus para que as verbas congeladas do programa de assistência financeira possam ser entregues ao governo grego.

"Se o governo grego julga que deve fazer um referendo, então deixemo-lo fazer um referendo", sublinhou Schäuble, à chegada à reunião do Eurogrupo em Bruxelas. "Pode até ser uma medida útil para que o povo grego possa decidir se está pronto para aceitar o que é necessário ou se quer algo diferente". O ministro alemão também destacou que a aprovação do Fundo Monetário Internacional é essencial a qualquer acordo, de forma a persuadir os parlamentos da zona euro a aceitarem as medidas propostas pela Grécia.

Fazer um referendo na Grécia poderá intensificar a tensão numa situação que é já imprevisível. Uma resposta negativa dos gregos quanto ao pagamento da dívida - que permitiria a Atenas receber novas tranches de ajuda financeira dos credores internacionais - poderá significar a saída da Grécia da zona euro. Várias medidas exigidas pela UE e pelo FMI, como os cortes nas pensões ou mesmo novas leis que flexibilizem os despedimentos, colidem com as promessas feitas pelo Executivo do Syriza que venceu as eleições na Grécia em janeiro passado.

O Wall Street Journal recorda que da última vez que o governo grego propôs um referendo às condições do programa de assistência financeira, em 2011, a ideia foi prontamente recusada pela chanceler Angela Merkel. Numa altura em que a Grécia está próxima de cair na bancarrota, o referendo poderia, por outro lado, oferecer ao governo o apoio necessário para conseguir um acordo e reformar a economia, permitindo-lhe passar por cima das promessas eleitorais.

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, que tinha agendada uma conversa com Wolfgang Schäuble antes do início da sessão do Eurogrupo, garantiu aos jornalistas que Atenas fará terça-feira, no prazo previsto, um pagamento crucial de 750 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional. "A Grécia cumprirá sempre as suas obrigações para com os credores e iremos fazê-lo novamente amanhã".

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