Ministra da Saúde espanhola demite-se por ligação a caso de corrupção do marido

A ministra da Saúde espanhola demitiu-se hoje, horas depois de um juiz a identificar como "participante a título lucrativo" do processo conhecido como Gurtel, que envolve vários ex-dirigentes do Partido Popular (PP), entre eles o ex-marido.

Pablo Ruz, juiz da Audiência Nacional que investiga o caso, considerou hoje que Ana Mato terá beneficiado dos delitos cometidos pelo ex-marido, Jesús Sepulveda, o ex-alcaide da localidade de Pozuelo de Alarcon, nos arredores de Madrid.

O anúncio do auto de Ruz causou profunda tensão no Governo e no Partido Popular (PP) tendo inicialmente o gabinete de Mato rejeitado que esta se demitisse, tendo fontes chegado a anunciar um comunicado em defesa da ministra, que acabou por nunca ser divulgado.

Apesar da polémica causada pelo auto, Ana Mato não chega a ser constituída arguida podendo, no entanto, ter que responder em tribunal como responsável civil pelos alegados delitos.

O juiz considera que Ana Mato não cometeu por si própria qualquer delito mas que teve benefícios dos delitos alegadamente cometidos pelo seu ex-marido, um dos 43 arguidos do caso Gurtel, um dos maiores processos de corrupção da história de Espanha.

Em fevereiro do ano passado Ana Mato garantiu que não se pensava demitir, considerando que estava a ser alvo de uma "infâmia" e de uma "caçada política" que a pretendia relacionar com o caso Gurtel.

"Esta infâmia não me vai vergar. Não tenho nada que esconder. Vou continuar a trabalhar ao serviço dos espanhóis e muito orgulhosa de fazer parte deste governo", disse na altura a governante.

O caso Gurtel investiga uma rede de corrupção que alegadamente operava em várias zonas de Espanha, todas elas governadas pelo Partido Popular - tanto a nível local como regional - e que subornava líderes políticos para conseguir contratos milionários.

Branqueamento de capitais, fraude fiscal, tráfico de influências, suborno são alguns dos crimes imputados aos principais responsáveis da rede.

O documento policial refere-se à suposta mediação de vários responsáveis do PP para adjudicar contratos e ajudas públicas a empresas, a troca do que recebiam uma comissão que era justificada através de faturas falsas.

Vários responsáveis regionais do PP e o ex-tesoureiro do partido estão entre os arguidos.

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