Militares sudaneses violaram mais de 200 mulheres em 36 horas

Human Rights Watch pediu às Nações Unidas e à União Africana que tomem "medidas urgentes" para proteger os civis de Darfur.

Mais de 200 mulheres e raparigas foram violadas por militares sudaneses num "ataque organizado" à cidade de Tabit, no norte do Darfur, em outubro de 2014, revelou a Human Rights Watch (HRW) num relatório divulgado hoje.

A organização de defesa dos direitos humanos com sede em Nova Iorque pediu às Nações Unidas e à União Africana que tomem "medidas urgentes" para proteger os civis da cidade de mais abusos, bem como uma investigação internacional ao que poderá ser considerado "crime contra a humanidade".

No relatório "Violação em massa no Darfur: Ataques do exército sudanês contra civis em Tabit", a HRW "documenta ataques do exército sudanês a Tabit durante os quais pelo menos 221 mulheres e raparigas foram violadas num período de 36 horas, com início a 30 de outubro de 2014", indica um comunicado da organização.

A ONG assinala que "as violações em massa podem ser consideradas crimes contra a humanidade se for provado que fazem parte de um ataque generalizado e sistemático contra a população civil".

Segundo a HRW, as forças armadas sudanesas realizaram três ataques naquela cidade do Darfur - província no oeste do Sudão palco de um conflito étnico-cultural desde 2003 -- durante os quais saquearam, espancaram e violaram.

"A Human Rights Watch documentou 27 casos de violação e obteve informação credível sobre outros 194 casos", refere o comunicado, adiantando que dois desertores disseram à organização que "os seus oficiais superiores lhes tinham ordenado para 'violar mulheres'".

"O ataque deliberado a Tabit e a violação em massa das mulheres e raparigas da cidade constitui um novo recorde no catálogo de atrocidades no Darfur", disse Daniel Bekele, diretor para África da HRW, citado no comunicado.

A organização acusa ainda o governo sudanês de ter impedido a entrada na cidade de investigadores da ONU para evitar que vítimas e testemunhas falassem sobre os crimes, adiantando que muitas destas disseram ter sido ameaçadas por responsáveis do governo com a prisão ou a morte caso dessem informações sobre os ataques.

"O Sudão fez tudo o que era possível para encobrir os horríveis crimes cometidos pelos seus soldados em Tabit, mas os sobreviventes com coragem escolheram falar", disse Bekele.

A HRW defende que a ONU e a União Africana pressionem o Sudão para autorizar o acesso de "capacetes azuis" à cidade e que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos crie uma equipa para investigar os alegados abusos. Insta ainda o Tribunal Penal Internacional (TPI) a investigar.

O TPI tem acusações pendentes contra cinco pessoas, incluindo o presidente sudanês, Omar al-Bashir, alvo de um mandado de prisão desde 2009, por crimes de guerra, contra a humanidade e genocídio no Darfur.

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