Milhares protestam contra caça ao tubarão

Governo do estado da Austrália Ocidental autorizou que até abril fossem capturados e mortos todos os tubarões brancos, touros e tigres com mais de três metros. A medida visa diminuir o número de ataques fatais, mas a população não concorda com a medida e ambientalistas questionam a sua eficácia.

A campanha para que a caça aos tubarões não avançasse já começou há algum tempo, com figuras públicas a darem a cara. Hoje, foram milhares de australianos protestaram contra a medida aplicada pelo governo local e apenas na praia em Perth juntaram-se mais de seis mil pessoas, mas noutros locais da Austrália foram várias as manifestações em prol da proteção aos tubarões.

O magnata Richard Branson é uma das vozes de descontentamento e, citado pela Sky News, realçou que no ano passado a Austrália ficou conhecida por criar uma das maiores reservas marinhas. "Este ano, o mundo olha para a Austrália - particularmente o oeste da Austrália - e questiona 'o que se está a passar?'", afirmou.

Colin Barnett, líder do governo estadual, justifica a medida com o elevado número de ataques fatais. "Nos últimos três anos houve sete mortos quando só tivemos 20 nos últimos 100 anos", referiu. Esta situação levou, segundo Barnett, a uma quebra no turismo, principalmente nas escolas de mergulho.

No entanto, são muitos os que questionam se a medida terá efeitos práticos. Ambientalistas e biólogos salientam que não está cientificamente provado que matar os tubarões vai reduzir o número de ataques fatais. Dizem que devem ser realizados mais estudos para compreender o comportamento destes animais e os seus hábitos alimentares.

Um sobrevivente de um ataque por um tubarão, Rodney Fox, defendeu que o dinheiro que está a ser gasto na caça, deveria ser aplicado precisamente em pesquisas sobre o comportamento dos tubarões. "O dinheiro deve ser investido na ciência".

A caça às três espécies de tubarões vai continuar até abril, altura em que será feita uma avaliação da medida. Entretanto já foi apanhado um tubarão touro. O método utilizado são vários anzóis colocados ao longo da costa. Quando um tubarão é apanhado, se tiver mais de três metros é morto com quatro tiros. O corpo é depois levado para o alto mar e abandonado. Porém, já apareceu morto um tubarão mais pequeno.

A polémica promete continuar, com os manifestantes a defenderem que o mar pertence aos tubarões e que as pessoas conhecem os riscos quando entram nas águas onde vivem estes animais.

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