Merkel diz que Schengen está em perigo "se não houver distribuição justa de refugiados"

Chanceler alemã admitiu esta segunda-feira que se os países europeus não concordarem nas quotas para acolher migrantes, será necessário reavaliar a livre circulação na UE.

Angela Merkel admitiu esta segunda-feira, durante uma conferência de imprensa em Berlim, que se a Europa não conseguir concordar numa justa distribuição dos refugiados entre os vários países-membros, o acordo de Schengen poderá ser revisto. "Se não conseguirmos uma distribuição justa dos refugiados, é claro que a questão de Schengen vai entrar na agenda para muitos", sublinhou a chanceler, citada pela agência Reuters.

O acordo de Schengen é uma convenção que definiu a abertura das fronteiras e a livre circulação de pessoas entre os países signatários na Europa. O tratado foi assinado em 1985, inicialmente por cinco países, tendo sido implementado a partir de 1995 em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Alemanha.

Merkel fez estas declarações, conforme assinala o El Mundo, pouco antes de receber o chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy. Previa-se que este encontro fosse vantajoso para Rajoy, que seria elogiado por ter conseguido implementar as reformas que colocaram Espanha novamente no caminho do crescimento. Porém, a atualidade impôs-se e o assunto dos migrantes entrará na agenda, com a Alemanha a defender o estabelecimento de quotas vinculativas que obriguem a repartir de forma equitativa a responsabilidade entre os vários países europeus, no que diz respeito ao acolhimento de refugiados.

Para segundo plano passará, provavelmente, o convite que Merkel deveria dirigir a Rajoy, incentivando-o a visitar Stralsund, na Alemanha, o distrito eleitoral da chanceler e onde já recebeu, por exemplo, Nicolas Sarkozy.

A chefe do governo alemão referiu ainda que o que a Europa está a viver "não é uma catástrofe natural, mas uma situação catastrófica", e apelou à "tolerância zero" para com os traficantes de pessoas. Merkel reconheceu ainda que é natural que os vários países europeus tenham pensamentos diferentes no que diz respeito à questão dos refugiados, mas não deixou de afirmar que é necessário encontrar una "política comum" e tomar decisões rápidas, nomeadamente na reunião de emergência convocada para o dia 14 de setembro e onde deverão comparecer os ministros da Administração Interna dos países da União Europeia.

A chanceler assinalou ainda que é necessário ajudar os países de origem dos migrantes, destacando a cimeira União Europeia-África que irá realizar-se no próximo mês de novembro em Malta.

Questionada nesta conferência de imprensa sobre o seu encontro do passado mês de julho com uma adolescente palestiniana em risco de ser deportada, que levou a jovem às lágrimas durante um debate - por Merkel lhe ter respondido que a Alemanha não pode acolher todos os refugiados que procuram asilo no país -, a chanceler confessou que foi tomada por uma "grande emoção", mas que as leis não podem ser contornadas. "O mesmo aconteceu durante a minha visita a Heidenau", um centro para refugiados que foi incendiado por nacionalistas. "Muita gente pensava que por falar comigo mudaria a sua situação, mas a Alemanha é um Estado de direito, com regras e procedimentos", acrescentou a chanceler.

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