Merkel avisou Cameron que admite saída do Reino Unido da UE

Chanceler alemã terá avisado o primeiro-ministro britânico na última cimeira europeia de que as restrições à liberdade de circulação na UE são inaceitáveis.

A chanceler alemã Angela Merkel terá avisado o primeiro-ministro britânico que são inaceitáveis as restrições à liberdade de circulação na União Europeia (UE), admitindo a possibilidade de o Reino Unido sair efetivamente da UE.

A revista Spiegel, que hoje será publicada, avança que Merkel admite mesmo a hipótese de o Reino Unido sair efetivamente da UE. "Pela primeira vez, [David] Cameron empurra o seu país para um 'ponto de não retorno' sobre a questão de pertença à UE, para um ponto" no qual Berlim deixará de se bater pela manutenção do Reino Unido no clube europeu, escreve a revista alemã, citando fontes governamentais.

Estas referiram à publicação que o principal ponto de discórdia é a ideia, avançada por Londres, de limitar a entrada de imigrantes no Reino Unido, mesmo os oriundos do espaço comunitário. Cameron, do Partido Conservador, está pressionado pela subida do partido eurocético Ukip nas sondagens e pretende apresentar medidas sobre a imigração antes do Natal. Há duas semanas, o jornal britânico Sunday Times avançou que uma das ideias seria limitar a atribuição de números da segurança social a imigrantes com baixas qualificações.

Esse mesmo jornal tinha já noticiado que a chanceler alemã estaria descontente com a ofensiva de Cameron contra os imigrantes. "A Alemanha não fará qualquer alteração ao princípio de liberdade de circulação na UE", garantiu. Ontem, citando fontes ministeriais, escreveu que Cameron está a trabalhar em novas ideias, que sejam compatíveis com as exigências de Merkel, tais como não permitir que um trabalhador desempregado fique mais de três meses no Reino Unido se não tiver meios para se sustentar a si próprio.

A isto tudo há ainda a acrescentar a recusa do primeiro-ministro britânico em pagar os 2,1 mil milhões de contribuição do Reino Unido para o orçamento da UE a 1 de dezembro. Recusa essa que já levou a Comissão Europeia a admitir multar os britânicos e a Dinamarca, um dos grandes aliados do Reino Unido, a recordar que, no clube dos 28, as regras são iguais para todos.

Cameron, que quer vencer as eleições legislativas de maio de 2015, prometera já que, se for reeleito, faria um referendo, em 2017, sobre a permanência do Reino Unido na UE. Mas, entretanto, o Ukip, liderado pelo controverso eurodeputado Nigel Farage, venceu as eleições europeias de maio passado, elegeu um deputado para a Câmara dos Comuns (um dissidente dos conservadores) e baralhou-lhe os cálculos eleitorais.

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