Tribunal suspende julgamento de Morsi até 08 de janeiro

O julgamento do presidente deposto do Egito Mohamed Morsi, acusado de incitar à morte de manifestantes, foi hoje suspenso até 08 de janeiro, noticiaram agências internacionais.

Morsi, que apareceu hoje pela primeira vez desde que foi detido pelo exército a 03 de julho, rejeitou a legalidade do julgamento nesta primeira audiência, afirmando: "Eu sou Mohamed Morsi, o presidente da República. Este tribunal é ilegal".

O presidente deposto pediu "à Justiça egípcia que não dê cobertura ao golpe de Estado criminoso", referindo-se à sua deposição pelo exército, e desafiou o tribunal a "julgar os líderes do golpe", acusando os militares de "traição".

O tribunal, segundo as agências France Presse e EFE, adiou a próxima audiência para permitir à defesa e à acusação analisar o processo. Até 08 de janeiro, Morsi e os outros 14 acusados permanecerão detidos.

O presidente do coletivo de juízes, Ahmed Sabri, anunciou a nova data depois de ter de suspender brevemente a audiência por duas vezes devido à agitação daqueles que assistiam à sessão, segundo a televisão estatal.

O presidente deposto, detido em local desconhecido até hoje, vai ficar numa cela especial na prisão de Tora, no sul do Cairo, segundo Mustafa el-Demeiry, um dos advogados de defesa, citado pelo diário árabe Ahram.

Milhares de apoiantes de Morsi manifestaram-se hoje em várias cidades do país, especialmente no Cairo e em Alexandria, em protesto contra o julgamento do presidente deposto.

Em frente do tribunal, especialmente instalado na academia de polícia do Cairo, a polícia disparou gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.

Segundo a televisão estatal egípcia, os manifestantes islamitas agrediram e expulsaram vários jornalistas que estavam junto da entrada da academia.

Morsi e os outros 14 acusados, todos membros da Irmandade Muçulmana, são acusados de ter incitado à morte de manifestantes num protesto em frente do palácio presidencial, a 05 de dezembro de 2012, em que morreram sete pessoas.

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